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Rui e ACM Neto ensinam 'tolerância' a Bolsonaro, enquanto PT ataca prefeito

Por Fernando Duarte

Rui e ACM Neto ensinam 'tolerância' a Bolsonaro, enquanto PT ataca prefeito
Foto: Manu Dias/GOVBA

O governador da Bahia, Rui Costa, e o prefeito de Salvador, ACM Neto, deram um exemplo de maturidade nesta terça-feira (17) durante a inauguração de um Centro de Atenção Psicossocial (Caps). O equipamento foi construído pelo governo, mas será administrado pela prefeitura da capital baiana. Mesmo que indiretamente, os dois principais gestores públicos da Bahia usaram luva de pelica para uma crítica embutida ao presidente da República, Jair Bolsonaro, que apresenta dificuldade para dialogar com adversários – sejam eles reais ou fictícios.

 

O clima “paz e amor” ainda é bem incipiente. Porém é perceptível que existe certo nível de boa vontade de Rui e de ACM Neto. Sem riscos de confrontos diretos nas urnas no curto prazo, ambos podem manter uma relação “leve” a partir de agora. O prefeito já havia acenado com a bandeira branca há algum tempo. O governador demorou um pouco mais. Agora, quando foi colocada à prova pública, a relação inexistente entre os dois pareceu quase real. E o tom utilizado foi de “respeito”, algo bem incomum nas relações entre Bolsonaro e outros entes federativos. Se não era para ser uma lição de moral, acabou bem empregada.

 

Até aqui, o governo federal não tem feito esforços em mostrar uma postura republicana ao administrar a União. Em diversas oportunidades, Bolsonaro criticou governadores, atacou opositores como se o braço forte do Palácio do Planalto desse liberdade total para os embates e foi menor do que a presidência exige. Nesse contexto, Rui e ACM Neto, que sempre trocaram farpas públicas, minimizaram as diferenças sob a justificativa de que a população de Salvador não mereceria uma disputa tola por atenção. Demorou muito e, em certa medida, as “brigas” por obras beneficiaram os soteropolitanos. Ainda assim, quase nunca houve quebra de decoro por parte de governador e prefeito.

 

Para além do recuo para ensinar ao presidente que é possível conversar com diferenças, uma outra situação marcou o primeiro passo de entendimento entre as lideranças baianas. Em meio ao esforço de amenizar as rusgas em prol dos moradores de Salvador, já houve quem quisesse azedar o início da política da boa vizinhança. E o chumbo partiu do grupo ligado a Rui, que mal esperou o clima de “amor está no ar” se dissipar.

 

No Twitter, o líder do governo na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), Rosemberg Pinto (PT), usou uma terminologia muito usual quando petistas querem provocar a gestão soteropolitana. Rosemberg escreveu que Rui Costa é “o melhor prefeito de Salvador”. É uma provocação simplória, mas que pode complicar uma relação que nem chega a ser um namoro. E olha que ninguém espera que chegue a um relacionamento sério.

Na sequência, a executiva estadual do PT aprovou uma resolução que proíbe o partido de se coligar com o DEM ou candidatos bolsonaristas, sob a justificativa de que o Democratas é o braço local de apoio ao presidente. Ou seja, a legenda mordeu, logo após o governador assoprar. Se a tendência “zen” do prefeito se mantiver mesmo assim, é sinal que vivemos novos tempos na Bahia. E então talvez tenhamos finalmente paz na política local. Até a próxima briga.

 

Este texto integra o comentário desta quarta-feira (18) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Irecê Líder FM, Clube FM, RB FM, Valença FM e Alternativa FM de Nazaré.