Mais de 10 anos depois, Ponte Salvador x Itaparica vai finalmente sair do papel?
Por Fernando Duarte
A ponte Salvador x Itaparica terá um dia decisivo nesta sexta-feira (13), quando acontece o leilão para concessão da Parceria Público-Privada. A obra, um sonho antigo dos baianos, deve ser arrematada por um consórcio de empresas chinesas, único a apresentar a documentação para participar do certame. Sem concorrência, os números não devem surpreender, o que demonstra que há uma preocupação sobre a viabilidade do projeto. Apesar das promessas do governo de que havia outros interessados, apenas os chineses demonstraram interesse.
A ideia nasceu ainda na década de 1960, mas só começou a ser esboçada efetivamente a partir de 2010 – a primeira citação pública do projeto foi no ano anterior, mas sem detalhes. Porém a ponte se tornou menina dos olhos dos governos petistas desde então, que ensaiaram alavancar a obra e pararam de avançar em mais de uma oportunidade. Agora, com o leilão da construção e da operação, é provável que não haja recuos. A iniciativa privada dificilmente vai colocar dinheiro em um projeto que seja inviável, muito menos os chineses, novos “ratos” do capitalismo, ainda que se apresentem como comunistas.
Caso confirmado o arremate, o investimento de R$ 5,3 bilhões deve movimentar a economia baiana. Os vencedores do leilão terão cinco anos para construir a ponte e poderão explorar as praças de pedágio pelos 30 anos seguintes. Eventuais atrasos, portanto, prejudicam muito mais os construtores do que o Estado, que será responsável por “apenas” R$ 1,5 bilhão. O projeto, então, deve ser um grande vetor de desenvolvimento, principalmente para a Ilha de Itaparica e para o Baixo Sul baiano, que tenderá a explorar melhor o potencial turístico e econômico a partir dessa ligação mais próxima com a capital baiana.
Há também os impactos políticos com a construção da ponte. O governador Rui Costa deve ganhar dividendos para explorar no processo de formação do sucessor. Com a obra em andamento, atrelar os investimentos ao governo baiano pode ser um trunfo no processo eleitoral – e uma preocupação para os adversários, em especial para o prefeito de Salvador, ACM Neto, candidato extraoficial em 2022. Da mesma forma, qualquer problema na construção provavelmente será explorado pelos opositores do petista.
Falando em Salvador, a capital baiana pode ser uma pedrinha no sapato nos momentos iniciais da obra. Em mais de uma oportunidade, ACM Neto sinalizou que a cidade ficou ausente das discussões acerca da construção, e a parte de licenciamento e liberação de alvarás pode gerar tensão. Nada que não seja resolvido com o tempo ou até mesmo com a mudança de gestão, já que o prefeito termina o mandato no próximo ano.
Parece que, finalmente, mais de 10 anos depois, o sonho da ponte ligando a capital ao sul baiano deve se materializar. E a versão chinesa será mais palpável do que os devaneios retóricos dos mais diversos profetas que conduziram o projeto até aqui.
Este texto integra o comentário desta sexta-feira (13) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Irecê Líder FM, Clube FM, RB FM, Valença FM e Alternativa FM de Nazaré.
