'A gente não quer punição criminal', diz Greco após falar em 'voz de prisão' para Mendes
Por Rodrigo Daniel Silva / Nuno Krause
O jurista e ex-procurador do Ministério Público de Minas Gerais, Rogério Greco, afirmou que o que ele quer em relação ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, não é uma punição criminal, mas um impeachment. Nesta sexta-feira (23), Greco esteve presente no 4° Simpósio Nacional de Combate à Corrupção em Salvador, onde chegou a dizer que Mendes "merecia voz de prisão em flagrante" (veja aqui).
Quando foi perguntado sobre o assunto, o ex-procurador disse que o que cabe nesse caso, na verdade, é a pena da Lei de Responsabilidade Fiscal. "O que a gente quer é que as pessoas julguem com isenção, e isso não está ocorrendo no STF. O próprio ministro Toffoli, que trabalhou muito tempo com o ministro José Dirceu, nunca poderia julgar um processo ex-ministro chefe da Casa Civil", argumentou.
Após o ex-procurador palestrar no evento, ele afirmou que o ministro Gilmar Mendes tem algum tipo de ligação com pessoas que indicam suspeição. "Sou a favor do impeachment porque uma das causas é exatamente o julgamento de um juiz suspeito. Nós tivemos impeachment de dois presidentes da República. Será que não podemos tentar o impeachment de um ministro que sabidamente está julgando casos em que há evidência de suspeição?", questionou.
Greco também comentou sobre o caso do vazamento de mensagens feito pelo site do Intercept Brasil, envolvendo o ex-juiz e ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Segundo ele, o hackeamento foi um "absurdo". "Isso é a coisa mais normal do mundo, o juiz conversar com promotor, advogado, com polícia, isso é normal. Quando você não consegue quebrar os fatos que estão sendo investigados, você tenta acabar com a reputação da pessoa", afirmou.
