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'Guerra fria': Geraldo Jr. 'briga' com prefeitura e Câmara deve viver dias tensos até 2020

Por Fernando Duarte

'Guerra fria': Geraldo Jr. 'briga' com prefeitura e Câmara deve viver dias tensos até 2020
Foto: Valdemiro Lopes/ CMS

A justificativa é coerente. O presidente da Câmara de Salvador, Geraldo Jr., prometeu não aceitar que o Legislativo seja subjugado pelo Palácio Thomé de Souza e está fazendo o dever de casa ao rebater qualquer tentativa de interferência externa na pauta de votações. No entanto, não será apenas essa a questão a ser avaliada quando observamos a tensão em torno do projeto sobre a isenção de ISS para empresas de transporte público da capital baiana. Geraldo Jr. declarou “guerra fria” contra a prefeitura e, até as definições sobre 2020, não esperamos nada menos do que beligerância pura nas relações entre as duas partes.

 

Esse caso de remissão de arrecadação começou eivado de erros simples do Executivo e que poderiam ser facilmente evitados. O primeiro deles foi assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público da Bahia (MP-BA) contando que a Câmara aprovaria a isenção do ISS sem consultar antecipadamente os vereadores. Seria uma mera formalidade ou deferência, até porque dificilmente os edis se furtariam em evitar uma tarifa mais cara em Salvador. Mas, na política, massagear egos é parte da rotina e essa foi a falha inicial.

 

Como se o clima entre o Legislativo e o Executivo fosse um mar de rosas, o secretário de Mobilidade Urbana, Fábio Mota, pressionou para que a matéria fosse votada o mais rápido possível, evitando que o prazo do TAC expirasse. O titular da Semob pareceu não ter medido eventuais “forças ocultas” que dariam motivos para alimentar a tensão almejada por Geraldo Jr. para inflamar os vereadores contra a prefeitura. A declaração de Mota juntou, então, a fome com a vontade de comer e o resultado foi a tumultuada sessão de ontem, tradicionalmente leve para um pós-feriado.

 

Geraldo Jr., que tenta se colocar como uma via alternativa na disputa pela prefeitura de Salvador em 2020, não se fez de rogado e engrossou o pescoço. Tentou uma jogada arriscada para expor a prefeitura e quase ameaçou uma derrota do Thomé de Souza na votação da isenção do ISS. Não pareceu meramente um jogo combinado, mas uma articulação forte para mandar um recado à prefeitura: na Câmara, a vontade dos vereadores – leia-se do presidente – não poderá ser subordinada aos interesses do Executivo. A conclusão foi a liderança do governo ligeiramente acuada e a necessidade de retirada da base do plenário para derrubar a sessão, algo atípico ao longo dos quase sete anos de ACM Neto como prefeito.

 

Com uma “guerra fria” praticamente declarada, resta saber como o núcleo duro da prefeitura vai reagir à virada de jogo do adiamento da votação do ISS para agosto, transferindo a responsabilidade da postergação como uma “opção” do governo e não uma boa cartada de Geraldo Jr. Conhecendo o perfil do entorno de ACM Neto, o revide será com chumbo grosso o suficiente para tornar ainda mais difícil o relacionamento entre o presidente da Câmara e o Executivo. Isso, é claro, até que se ache um consenso possível para os interesses de Geraldo Jr., de olho na eleição de 2020, e as intenções do grupo de aliados do prefeito, seja com o vice Bruno Reis como candidato ou com qualquer outro nome na disputa.

 

Este texto integra o comentário desta quinta-feira (4) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior, Irecê Líder FM, Clube FM e RB FM.