ACM Neto cumpriu uma de cinco promessas para a comunidade LGBT feitas na campanha
Por Lucas Arraz / Rodrigo Daniel Silva
O prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), cumpriu apenas uma das cinco promessas que fez para a comunidade LGBT em seu programa de governo na campanha de 2015. Apesar de avanços do democrata, como a criação de um Centro Municipal de Acolhimento para LGBTs (veja aqui), a gestão ainda age de forma “tímida”, avaliou o vereador Marcos Mendes (PSOL).
A prefeitura de Salvador foi procurada em diversas oportunidades para se manifestar sobre a questão levantada no dia internacional do orgulho LGBT, nesta sexta-feira (28), mas preferiu não o fazer.
No terceiro ano do seu segundo mandato, o prefeito ACM Neto prometeu no programa de governo a execução de um projeto de retificação jurídica de nomes sociais para facilitar a mudança de nomes para homens e mulheres trans. A promessa não foi cumprida até o presente momento.
O prefeito também prometeu criar um Programa Municipal de Combate à Discriminação da Pessoa LGBT, executar um programa de empreendedorismo LGBT e implantar serviço de atendimento itinerante do Centro de Referência. Nenhuma das promessas foram cumpridas. Única das propostas colocadas em prática, a prefeitura recentemente criou um conselho municipal de promoção e cidadania LGBT.
Atual secretário municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza (Sempre), Léo Prates (DEM) defendeu a prefeitura e disse que, no processo, Neto avançou bastante com o auxílio dos vereadores. “O prefeito teve coragem e coração para fazer o Centro de Referência LGBT, de fazer políticas públicas com o auxílio de indicações de vereadores. O avanço não é tímido, principalmente quando analisamos que nada está sendo feito em outras capitais”, declarou. O titular da Sempre também defendeu que o Centro de Acolhimento é mais uma prova de que a prefeitura faz o que está no seu alcance. “A prefeitura não caiu no conforto do debate”, completou.
Idealizador do projeto de indicação que motivou o Executivo municipal a elaborar o Centro de Acolhimento, Marcos Mendes culpou a base evangélica mais conservadora da base do prefeito na Câmara de Vereadores pela falta de avanços nas pautas LGBT. “A prefeitura tem um papel fundamental de prover políticas públicas para todos os setores. O grande problema nesse caso é uma base de apoio evangélica conservadora que faz uma influência negativa nesse processo. Existem evangélicos progressistas, mas também existem os que promovem a LGBTfobia”, falou Mendes.
O vereador acredita que uma disputa eleitoral por votos fez o prefeito recuar nas pautas. “Precisamos fazer essa cobrança. Não podemos fazer vista grossa para esse avanço de pautas que ainda é tímido”, ponderou.
