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Às vezes se inventa notícia, às vezes a notícia se inventa

Por Fernando Duarte

Às vezes se inventa notícia, às vezes a notícia se inventa
Foto: Reprodução/ Instagram

Política é uma arte. Mas dar sinais trocados sobre ela parece ser a sublimação dessa arte. São inúmeros os exemplos de atores que flertam com um caminho quando, na verdade, estão no campo completamente oposto. Tudo numa tentativa de ganhar espaço na mídia e, quem sabe, mostrar-se aberto ao diálogo com qualquer força política, inclusive adversária. Foi o que fez o deputado estadual licenciado Léo Prates com um almoço com Davidson Magalhães.

 

Eleito pelo DEM e integrante do primeiro escalão da prefeitura de Salvador, Prates é amigo pessoal de ACM Neto e teve parte do seu debute político avalizado pelo gestor da capital baiana. Nos últimos meses, ele tem se colocado como um eventual plano B, caso o vice Bruno Reis não se viabilize candidato a prefeito em 2020. Para quem acompanha o processo, aos poucos, o nome de Reis se consolida e é cada vez mais difícil acreditar que ele deixe de ser candidato. Por isso, Prates poderia estar distante de ter a benção de ACM Neto para tentar o Palácio Thomé de Souza.

 

Todavia, mesmo que o secretário queira ser candidato contra Bruno Reis, é inocente quem acredita que ele poderia se filiar ao PCdoB para tentar o posto. Primeiro, porque o PCdoB já possui os próprios nomes na disputa. Segundo, porque não há como dissociar a imagem de Prates de ACM Neto, adversário histórico dos comunistas. E, convenhamos, a pecha de traidor não deve ser algo que Leo Prates iria querer carregar. Lembram de Célia Sacramento?

 

A mesma lógica, inclusive, é adotada pelo grupo político de ACM Neto para tentar “desqualificar” uma virtual candidatura de Guilherme Bellintani pelo arco de alianças do governador Rui Costa. O atual presidente do Bahia emergiu na cena pública como aliado do prefeito de Salvador e mudar de lado não é uma postura tão bem vista durante uma corrida eleitoral. Léo Prates sabe disso, porém preferiu brincar – não há outro verbo possível – com a possibilidade de se aliar ao PCdoB.

 

Esse universo de sinais trocados, inclusive, remete ao período pré-eleitoral e as idas e vindas de partidos. Em 2018, o exemplo mais notório foi o PL (então PR), que acordava aliado de ACM Neto e dormia ao lado de Rui Costa – ou vice-versa. É parte da estratégia de “atirar” para muitos lados e, ao final, seguir o sono dos justos onde melhor encaixar o corpo. Por isso, não dá para se empolgar com grandes reviravoltas políticas do ponto de vista de filiações ou alianças com tanta antecedência. As grandes jogadas nesse sentido são feitas sem alardes e anunciadas próximas ao limite – vide a filiação de Marina Silva ao PSB em 2014, por exemplo.

 

Enquanto discutimos se faz sentido ou não Léo Prates se filiar ao PCdoB, aposto que o almoço entre ele e Davidson rendeu uma boa conversa. E, depois da foto divulgada, provavelmente muito boas risadas. Afinal, tem vezes que a imprensa inventa sarna – ou notícia – pra se coçar.

 

Este texto integra o comentário desta segunda-feira (10) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior, Irecê Líder FM, Clube FM e RB FM.