A QUESTÃO DA TORTURA
Por (Daniel Pinto)
O fantasma da ditadura militar ainda ronda a América do Sul. É justamente sobre as seqüelas desse período e a punição para os promotores/agentes da tortura que Samuel Celestino trata hoje, em sua coluna no jornal “A Tarde”. “A Argentina voltou a punir torturadores da sua ditadura, e a questão foi, por tabela, reaberta também no Brasil. Lá se pune; aqui, apenas se discute se deve, ou não, punir. Basta isso para que se ouçam velhos zumbidos”. Celestino defende a postura do governo brasileiro, através do ministro da Justiça, e destaca o espaço que os militares terão para defesa. “Tarso Genro se posiciona corretamente sobre a questão, porque é do seu dever como ministro de um país democrático, mesmo que o assunto, tortura, ainda aflija militares da reserva que, como diz o ministro, têm espaço democrático para defender suas posições”. Por fim, ele comenta a abertura dos documentos da ditadura e descaracteriza a tortura como crime político. “Basta um ato do presidente da República determinando a abertura pública, para o conhecimento dos brasileiros, dos arquivos, dos documentos da ditadura. (...) De resto, tortura não é mesmo crime político. É, como já me referi, crime contra a humanidade”.