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BP Investimentos: Petrobras tem boas notícias, mas receio sobre intervenção faz ações caírem

Por André Luzbel

BP Investimentos: Petrobras tem boas notícias, mas receio sobre intervenção faz ações caírem
Foto: Priscila Melo / Bahia Notícias

Dois motivos levaram à queda da Bolsa e à alta do dólar nesta sexta-feira. Ontem, foi divulgada a informação de que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, teria recebido R$ 1,5 milhão da Odebrecht, o que dificulta cada vez mais a articulação para a votação da Reforma da Previdência e volta a assustar o mercado. Para piorar, hoje o presidente Jair Bolsonaro pediu que a Petrobras não faça o reajuste do valor do diesel.

 

Há alguns dias, já havia o burburinho de que poderia haver uma nova greve dos caminhoneiros, como a que aconteceu no ano passado - quando quase 1% do PIB foi afetado, fazendo com que a Bolsa despencasse e o dólar chegasse a R$ 4,10. Com medo de que isso acontecesse novamente, Bolsonaro começou a intervir na estatal, o que vai totalmente contra o discurso que tinha.

 

O presidente colocou um liberal à frente da empresa, Roberto Castello Branco, que teve até então uma boa avaliação do mercado. A Petrobras conseguiu, depois de muito tempo, aprovar a cessão Onerosa, o que vai garantir a entrada de cerca de US$ 9 bilhões do governo, podendo receber mais US$ 9 bilhões posteriormente com a venda de reservas em excesso. São quase R$ 80 bilhões, o que vai capitalizar a empresa e garantiu que a estatal atingisse as máximas dos últimos anos, com ações preferenciais passando dos R$ 30.

 

Porém, com a sugestão de intervenção do governo federal na Petrobras, voltam a surgir receios do mercado com a possibilidade de brigas internas entre Castello Branco e Bolsonaro. Por causa disso, as ações estão caindo hoje quase 5% e a ação voltou a R$ 26, que foi o preço da capitalização que a companhia fez em 2010. Ou seja, depois de quase 10 anos, a ação mal saiu do lugar.

 

Há outros pontos importantes a se discutir quando se fala da Petrobras. Apesar da obrigação de segurar o preço do diesel – o que fará com que a empresa perca dinheiro, obviamente –, a estatal vendeu a Transportadora Associada de Gás S.A. (TAG) para o grupo Engie, e ainda pode vender a sua participação na BR Distribuidora. Logo, há muito mais dinheiro pra entrar do que as eventuais perdas com a venda do diesel. São mais notícias positivas do que negativas. Por isso, a reação da Bolsa está muito menos ligada a eventuais prejuízos com a venda de combustível, e muito mais ligada à intervenção de Bolsonaro.