BP Investimentos: Bolsa reage bem a reunião de Bolsonaro com DEM, mas dólar não deve cair
Por André Luzbel
A Bolsa nesta quinta-feira (4) fechou em forte alta, de quase 2%, 96 mil pontos. A máxima histórica tinha sido 100 mil pontos. Depois da confusão que ocorreu com o ministro da Economia Paulo Guedes na última quarta (3), durante a reunião na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, todos estavam receosos de que na quinta o mercado amanhecesse pessimista. Porém, com essa reunião do Democratas com o presidente Jair Bolsoraro a reação foi positiva.
O que tem acontecido na Bolsa - e com o dólar - é que há uma expectativa sobre a votação da Reforma da Previdência. O mercado ainda não sabe se a reforma vai passar ou não e, caso passe, como estará o texto. Assim, o mercado tem oscilado com as movimentações políticas em relação à Previdência. Além disso, há uma atenção sobre a mudança fiscal que deve ser proposta em breve por Paulo Guedes.
Com essas movimentações, o investidor estrangeiro, que é quem de fato puxa essas movimentações para cima ou para baixo, está esperando. Não está comprando no Brasil - pelo contrário, vendeu bastante depois que Bolsonaro venceu e no início desse ano, para aproveitar a alta da Bolsa, que foi puxada por investidores brasileiros, bancos e fundos de investimento.
A expectativa que se tem é que, caso a Previdência seja aprovada, e caso Paulo Guedes ganhe força dentro do Congresso, a Bolsa consiga vencer a máxima histórica e que ela atinja 120 mil, 130 mil pontos.
Vale ressaltar que na opinião dos maiores gestores de fundos de investimento, por mais que a Bolsa suba e por mais que o capital estrangeiro entre no Brasil, o dólar não deve cair tanto. Se fala muito no dólar entre R$ 3,60 e R$ 3,70 na Bolsa (o dólar turismo deve ficar entre R$ 3,80 e R$ 3,90 ainda). Por quê? Porque o dólar funciona como uma espécie de "botão de emergência", por isso que qualquer coisa que acontece o dólar sobe. Se a Previdência não passar no Congresso, o dólar pode chegar a R$ 4,30. Se a Previdência passar, mas houver algum problema político, o dólar vai voltar a subir.
asicamente, os investidores estrangeiros e até brasileiros compram ações na Bolsa, investem no país, mas colocam alguma coisa em dólar, porque caso ocorra algum problema e ele perca dinheiro em ações, consegue recuperar algo no dólar. É por isso que vemos a Bolsa tão próxima da marca histórica, mas o dólar muito longe do que estava antes da reeleição de Dilma Rousseff (2013), quando chegou próximo a R$ 2,20.
