CEI da Secretaria de Saúde é 'plano B' da oposição após ida de Luiz Galvão à Câmara
Por Guilherme Ferreira / Fernando Duarte
A criação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara de Vereadores de Salvador vai ficar de ‘stand by’ por enquanto. Com a ida do secretário municipal de Saúde, Luiz Galvão, ao Legislativo (veja mais), a oposição entendeu que é melhor esperar o resultado desse convite para só então retomar a ideia da CEI.
“Nesse momento, ela ainda não vai ser protocolada, já que vai ser convocado”, declarou o vereador Sidninho (Pode), líder da bancada de oposição, em entrevista ao Bahia Notícias nesta quarta-feira (27). “Com a convocação que será feita, essa CEI fica ainda sobrestada por essa convocação. Vamos aguardar”, explicou. Apesar de Sidninho falar em convocação, a ida de à Câmara será em moldes diferentes da que aconteceu com o secretário municipal de Trabalho, Esporte e Lazer, Alberto Pimentel.
A intenção da CEI era exatamente investigar a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) sobre os fatos revelados pela Operação Kepler, deflagrada este mês e que apura esquemas criminosos ligados à pasta. “Vamos deixar ele [Luiz Galvão] vir pra poder explicar como funciona a secretaria e o que motivou essa situação”, destacou o vereador do Podemos.
Caso a oposição queira levar a ideia da CEI adiante, ela pode contar inclusive com membros da bancada do governo. Pessoas próximas à situação na Câmara acreditam que seria possível protocolar o pedido de abertura da Comissão, apesar da aprovação ainda ser extremamente improvável. Vereadores aliados de ACM Neto seguem insatisfeitos com a atenção que vêm recebendo da gestão municipal e apontam inclusive que o prefeito parece estar pouco atento ao Legislativo da cidade.
Para protocolar o pedido de abertura da CEI são necessárias as assinaturas de 14 vereadores, o equivalente a um terço das cadeiras na Câmara de Salvador – sem contar o presidente. Atualmente, existem 11 integrantes na oposição a ACM Neto, divididos em dois grupos. Além disso, os independentes Marcos Mendes (PSOL) e Edvaldo Brito (PSD) também costumam se aliar a eles. Portanto seria preciso apenas unificar o grupo e conquistar o apoio de pelo menos dois aliados do prefeito.
No entanto, mesmo que consiga as assinaturas para protocolar o pedido, a oposição ainda precisaria do apoio de 29 dos 43 vereadores, o equivalente a dois terços, para abrir a CEI, algo praticamente inviável diante da numerosa base do prefeito. A atual legislatura já até cogitou criar uma Comissão de Inquérito contra a gestão municipal, mas sequer conseguiu 15 assinaturas e desistiu da ideia no meio do caminho (veja mais).
