Ex-presidente do Inep diz que Vélez é 'gerencialmente incompetente' para MEC
Após deixar a presidência do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Texeira (Inep), Marcus Vinicius Rodrigues disse que o ministro Ricardo Vélez Rodriguez é "gerancialmente incompetente" e "não tem controle emocional" para comandar a educação brasileira. Rodrigues foi demitido nessa terça-feira (26) em meio à mais recente polêmica da pasta: a suspensão da avaliação alfabetização neste ano.
Primeiro, uma portaria assinada por Rodrigues definiu que o exame só voltaria a ser realizado em 2021, sob o argumento de que esse prazo serviria para as escolas se adequaram à Base Nacional Comum Curricular. Porém, diante da repercussão negativa no setor, o governo voltou atrás e revogou a portaria no dia seguinte (saiba mais aqui).
"A minha demissão não foi uma injustiça. Foi um ato de incompetência gerencial de um ministro que não tem poder de gestão, não tem controle emocional para dirigir a Educação do Brasil. Pesou o fato de eu ser ligado à ala militar; de ser amigo do grande profissional que é o (Antonio Flávio) Testa (sociólogo que trabalhou desde a campanha e foi dispensado por Veléz durante a transição após um desentendimento). E pesou o fato de termos um modelo de gestão aplicada no Inep muito destoante do que vem sendo aplicado no MEC", afirmou o ex-presidente do Inep em entrevista ao jornal O Globo. Ele acrescenta que Vélez não tem conhecimento de gestão nem é um educador, portanto, não consegue gerenciar o trabalho.
Segundo informações do jornal O Globo, internamente, Vélez disse que foi surpreendido com a medida. Já Rodrigues disse ao jornal que a suspensão do teste foi solicitada por meio de ofício enviado pelo secretário de Alfabetização do MEC, Carlos Nadalim, que, de acordo com o ex-presidente do Inep, é 'provavelmente o colaborador mais próximo" de Vélez. Justamente por isso, ele acredita que o caso foi apenas um "pretexto" usado para demiti-lo.
"A minha demissão é um processo de crise que já vem desde o início, a partir do momento em que eu não aceitei as indicações do ministro com caráter ideológico para ocupar diretorias (do Inep). Acho que foi exatamente neste momento que o processo de distanciamento teve início. O ministro me fez várias indicações de profissionais que tinham uma postura ideológica não adequada para a gestão. E eu entendi que isso não seria adequado para a Educação do Brasil", defende Rodrigues. Uma dessas indicações seria a de Murilo Resende, que é ligado a Olavo de Carvalho. Ele foi indicado para assumir a coordenação do Enem.
Neste contexto, a análise de Rodrigues é de que o "MEC vai entregar muito pouco" por falta de pessoas habilitadas na pasta. A Vélez, ele avlia que faltou acesso a boas faculdades e há uma "formação densa".
