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'Vivemos uma desordem, o Carnaval é a nova ordem', diz antropólogo na Mudança do Garcia

'Vivemos uma desordem, o Carnaval é a nova ordem', diz antropólogo na Mudança do Garcia
Foto: Francis Juliano / Bahia Notícias

“O Carnaval é um espaço de alegria, mas é um espaço também da transposição de uma ordem”, é desta forma que o antropólogo Fábio Lima resume o sentido da folia momesca. Desfilando na Mudança do Garcia, nesta segunda-feira (4), ele diz ainda que “nesse momento que nós vivemos uma desordem, o Carnaval é a nova ordem”.


Segundo Fábio Lima  o Carnaval, e mais especificamente a Mudança, é o espaço  onde as minorias e as diversas identidades se afirmam. “Elas protestam, elas vêm dizer, cada uma a seu modo, de uma forma tranquila, o que elas querem para os 365 dias do ano”, pontua o antropólogo, destacando que o bloco mantém sua essência ao longo da história. 


“A Mundança nunca perdeu sua originalidade, de ser o espaço da irreverência, política, tudo. Carnaval é político desde os cordeiros ao homem do gelo. Tudo é política. Estamos na pólis, na cidade. O Carnaval é uma intervenção na cidade”, afirma, lembrando a origem da Mudança do Garcia. “Começou com uma prostituta que foi posta para fora do bairro, e a moçada foi atrás. E hoje estamos aqui com as fantasias, com as mortalhas, com os coloridos, para dizer: nós queremos um Brasil alegre, que respeite gay, negro, mulher, deficiente físico”, explica Fábio Lima.