Professor diz que Bolsonaro mostra que não tem compromisso com educação
Por Francis Juliano / Jamile Amine
Presente durante o cortejo da Mudança do Garcia, nesta segunda-feira (4), em Salvador, o professor doutor da Universidade Federal da Bahia, Carlos Zacarias, fez duras críticas à política educacional do governo de Jair Bolsonaro (PSL).
“A gente tem observado as manifestações e toda a produção do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, com muita preocupação. Bolsonaro já tinha anunciado durante a campanha, e na trajetória dele, o seu pouco comprometimento com a educação da forma como os educadores se ocupam”, alertou o professor. “A escolha do ministro Vélez para a Educação foi uma demonstração de que Bolsonaro não tem nenhum compromisso efetivo com a educação. Na verdade ele tem a desconfiança, a disposição de atacar os educadores, tornar os professores inimigos da sociedade, que é uma coisa altamente belicosa”, afirmou, lembrando que o ministro foi uma indicação do guru intelectual do bolsonarismo, Olavo de Carvalho.
“A escolha do Ricardo Vélez, indicado por Olavo de Carvalho, é uma demonstração disso. O Olavo de Carvalho é uma pessoa que não tem nenhuma penetração no espírito acadêmico, tem uma postura anti-intelectual e que fomenta o anti-intelectualíssimo, que é uma característica do fascismo”, defende Carlos Zacarias, afirmando que o governo como um todo não é necessariamente fascista, mas que há sim alguns setores nos quais se observa o comportamento com clareza. “O bolsonarismo, o Bolsonaro e o núcleo familiar dele, o Ricardo Vélez, o Ernesto Araújo - ministro das Relações Exteriores - têm um perfil protofascista, que lembra muito o que foi Alemanha e Itália, nos anos 1930. A gente vê com muita preocupação, porque essas medidas todas, além de colocar os professores numa situação de serem vítimas, de serem acusados de ser doutrinadores, coloca a sociedade contra a educação e cria um clima de perseguição”, avalia o professor, que mesmo diante do cenário ruim, ainda mantém a esperança. “A gente espera que isso seja revertido a partir da luta dos professores. Hoje com a Mudança do Garcia é uma demonstração de que vai ter luta”, diz Zacarias.
