Ator diz que personagem 'Roberval' serviu para discutir posição do negro
Por Lara Teixeira / Francis Juliano
Fabrício Boliveira curte esta sexta-feira (1°) de Carnaval no camarote Expresso 2222, na Barra. Em conversa com o Bahia Notícias, Boliveira revelou que se sentiu realizado com o que o personagem provocou entre as pessoas negras.
“Senti que o povo negro se reconheceu muito no Roberval. Parece que eu estava gritando o que elas estavam pensando. Eu tenho ouvido histórias inacreditáveis nas ruas. Do policial que me para na blitz e fala que começou a entender a condição de negro dele. De famílias que passaram a refletir as questões internas dos negros, questões de exploração no trabalho, de trabalho servil, tudo isso. Foi uma felicidade contar isso para o meu povo”, contou.
Boliveira adiantou também que em 2019 vai morar em Salvador. Na cidade, ele pretende enveredar por trabalhos que rememorem o passado negro, como a Revolução dos Búzios – conhecida também como Conjuração Baiana e Revolta dos Alfaiates [1798]. “Vim para morar e quero ressuscitar histórias que me formaram aqui dentro. Estou me conectando com meus amigos e vamos fazer história”, declarou.
No cinema, Fabrício participará de dois filmes em 2019. Um sobre o cantor Wilson Simonal e outro “Breve Miragem”, ficção de Eryc Rocha, filho do célebre cineasta Glauber Rocha. “O Eryc é um diretor que super amo. É um filme que se passa no Rio de Janeiro, mas fala do caos desse país”, relatou.
Na folia soteropolitana, Fabrício Boliveira começou com o samba no Campo Grande, nesta quinta-feira (28). Já nesta sexta-feira (1°) acompanhou o Trio “Respeite as Mina”. “Quero ver também o Afrocidade e Baco [Exu do Blues]”, finalizou.
