Mudanças no secretariado de Neto dão sinais de como prefeito vai se comportar até 2020
Por Fernando Duarte
As mudanças no secretariado de ACM Neto em Salvador mostram um rascunho da estratégia política que o prefeito adotará nos próximos dois anos, quando deve indicar o candidato à sucessão. Ao colocar o vice Bruno Reis numa função mais executiva, o gestor da capital baiana tenta, ao mesmo tempo, testá-lo publicamente e garantir um respaldo para o nome dele na disputa. No entanto, abre espaço para um plano B com Léo Prates, ainda que a hipótese seja muito remota. É uma aposta do prefeito em dois ex-assessores que tiveram carreira exitosa no Legislativo e que almejam lugar ao sol.
Dentro do grupo político do gestor da capital baiana, o nome de Bruno Reis é considerado consolidado como a aposta de ACM Neto para sucedê-lo. Isso remonta à época em que ele foi alçado à condição de vice-prefeito, em 2016, desbancando nomes como do hoje deputado federal João Roma (PRB) e do atual presidente do Esporte Clube Bahia, Guilherme Bellintani. Reis venceu essa primeira prova de fogo e colocou o nome em alta – ainda que tenha brigado com o MDB, que deu guarida para a indicação dele para o posto há cerca de dois anos.
O vice, todavia, tem o desafio de tentar construir uma unidade dentro desse grupo em um cenário que favorece o lançamento de múltiplas candidaturas para ampliar as respectivas bancadas na Câmara de Vereadores. Até o momento, partidos como PSDB e PRB sinalizaram a possibilidade de saírem com postulações ao Palácio Thomé de Souza e o MDB não deixa de ser uma força política para construção de uma chapa majoritária, mesmo após o encolhimento em 2018 na Câmara dos Deputados.
O tucanato não possui nome efetivamente competitivo até então e o PRB poderia bancar uma candidatura para demarcar posição, tendo até mesmo o deputado federal João Roma como opção. O pernambucano radicado na Bahia, no entanto, não tenderia a romper relações com o padrinho que bancou sua votação para o Congresso Nacional, já que ACM Neto dá sinais de que Bruno Reis é favorito no processo eleitoral de 2020.
Na mensagem ao Legislativo, as referências do prefeito ao vice foram em tom de loas e apontava que Bruno Reis teria um espaço de destaque a partir de agora. Em abril de 2018, quando ACM Neto preferiu ficar no Palácio Thomé de Souza ao invés de concorrer ao governo da Bahia, o segundo na linha sucessória submergiu e houve quem apostasse no naufrágio dele. Para quem acompanhou o processo, Reis era um dos principais interessados na renúncia do gestor da capital baiana e não tornou pública qualquer insatisfação por não ascender ao comando da prefeitura.
Segundo interlocutores próximos ao grupo, o vice tem a faca e o queijo na mão para se tornar o nome de ACM Neto para disputar as eleições de 2020 como herdeiro político do prefeito. Agora, ao se manter em alta como titular da Secretaria de Infraestrutura e com as costuras na colcha de retalhos partidária, Bruno Reis depende muito mais de si do que de outros para estar com o nome nas urnas nas próximas eleições.
PS: ACM Neto apostou na memória curta do eleitor ao manter uma indicação do MDB no primeiro escalão. Em 2018, o prefeito praticamente defenestrou qualquer aproximação com a legenda. Felipe Lucas como secretário não deixa de ser um afago compensatório.
Este texto integra o comentário desta quarta-feira (6) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior, Irecê Líder FM, Clube FM e RB FM.
