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Rui começa a definir qual será seu legado como governador

Por Fernando Duarte

Rui começa a definir qual será seu legado como governador
Foto: Carol Garcia/ GOVBA

De pires na mão, os presidentes da Assembleia Legislativa da Bahia e do Tribunal de Justiça da Bahia, Angelo Coronel e Gesivaldo Britto, aguardam a resposta definitiva do governador Rui Costa sobre os pedidos de suplementação dos respectivos orçamentos. São, até o fechamento das contas, reféns do Executivo, que não parece afeito a ceder à pressão sem barganhar seus próprios interesses.


Talvez em situações como essa se perceba que não há equilíbrio pleno entre os poderes. E dificilmente tudo o que está em jogo nesses embates virá a público. Para grande parte da população, pouco importa se AL-BA ou TJ-BA não foram austeros o suficientes para terminar o ano no azul. Rui sabe disso e vai agir para evitar que seja o Palácio de Ondina a pagar exclusivamente pela conta que não gastou.


O governo da Bahia, como faz questão de frisar, é um dos poucos Executivos estaduais do Brasil que não enfrentou crises para quitar salários de servidores ou até mesmo pagar fornecedores - estes últimos ao menos publicamente não reclamaram. No entanto, para chegar a esse nível, arrochou os servidores e limitou boa parte dos investimentos a transferências da União ou a parcerias público-privadas. Isso é um problema? Nem de longe. 


Agora, com o pacote de medidas "amargas", para usar a expressão amplamente divulgada pelos eufemistas governistas, ensaia cortar na própria carne, com extinções e privatizações de órgãos e empresas públicas. Algo que poderia ter sido feito no passado, mas que questões eleitorais impediram de ocorrer. Talvez os projetos ajudem a mitigar os problemas de um estado que arrecada pouco para o tamanho dos gastos.


Como Legislativo e Judiciário estão ligeiramente na condição de condenados à forca com a corda envolta ao pescoço, talvez os únicos interessados em fazer barulho nas ações "impopulares" do governador sejam sindicatos e associações de servidores. Pena que são aparelhadas por partidos ligados ao governo e se limitem a apitos surdos, como acontece no congelamento de reajustes há mais tempo que se imaginaria para um comando de "esquerda".


Rui será vitorioso em ambas as narrativas, seja na subjugação de Coronel e Britto, seja no "aperto de cintos" encaminhado à Assembleia. Não há nada de recriminável nesse processo. A expectativa sobre os resultados práticos dessas medidas é uma das grandes apostas para esse segundo mandato dele na Bahia. Ou ele entra para a história como um dos mais austeros que já passaram pela governadoria ou ficará marcado como um dos mais neoliberais que habitaram o Palácio de Ondina. Só o tempo irá responder qual lado vai prevalecer.

 

Este texto integra o comentário desta segunda-feira (3) para a RBN Digital às 7h e veiculado também nas rádios Excelsior, Líder FM, Clube FM e RB FM.