Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias
Você está em:
/
Notícia
/
Justiça

Notícia

Olívia ressalta importância de Luislinda e de sua própria eleição: ‘Conquista de imagem’

Por Cláudia Cardozo / Ailma Teixeira

Olívia ressalta importância de Luislinda e de sua própria eleição: ‘Conquista de imagem’
Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

Eleita deputada estadual na eleição deste ano, Olívia Santana (PCdoB) foi apontada como a primeira mulher negra a conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). Mas, dias após o pleito, foi revelado que a primeira negra a chegar ao posto foi a ex-deputada estadual Zezé, eleita também pelo PCdoB em 1990.

 

No entanto, Olívia ainda é pioneira quando se fala nos traços físicos — além da pele preta, a futura parlamentar tem os lábios e o nariz grossos e o cabelo crespo, que usa tranças (saiba mais aqui).

 

"Eu sei o impacto dessa conquista de imagem para cabeça de jovens negras, de mulheres idosas", destaca Olívia. "Mulheres negras como eu não têm o benefício da transição. A gente não pode estar em dois mundos, a gente não transita bem de um lado ou do outro, então, finalmente ter chegado uma mulher fenotipicamente negra na Assembleia Legislativa tem que dizer alguma coisa, a própria polêmica que se instalou já nos ajuda. Por que negras fenotipicamente tem muito mais dificuldade de chegar? Porque é muito mais fácil lidar com a mestiçagem quando ela te branqueia do que você chegar com suas tranças, com sua cara preta, com sua pele preta e abrir as portas", reforça a deputada.

 

A declaração de Olívia ao Bahia Notícias foi feita na manhã desta quarta-feira (28) durante sua participação na cerimônia para entrega da Medalha do Mérito Judiciário a juíza Mary de Aguiar Silva. Ela foi condecorada como a primeira mulher negra a se tornar magistrada em todo o Brasil, mas esse título também foi alvo de discussão.

 

Durante um tempo, a ex-ministra de Direitos Humanos Luislinda Valois foi apontada como detentora do posto e até fez uso do título em programas do governo estadual e do governo federal (saiba mais aqui). Para Olívia, isso se deve à luta de Luislinda contra o racismo.

 

"Ela pegou essa questão com muita força, a questão racial, questão da mulher negra. Ela denunciou essa solidão da mulher negra nesse espaço de poder, fez uma narrativa política muito importante", defende a parlamentar, salientando também a relevância política de se reconhecer o papel histórico de Mary de Aguiar.

 

Hoje com 93 anos, a juíza homenageada tomou posse no cargo em 1962 e atuou na área por mais de 30 anos, sendo aposentada em 1995 (veja aqui).