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Rui terá que argumentar bem para evitar que medidas austeras não se voltem contra ele

Por Fernando Duarte

Rui terá que argumentar bem para evitar que medidas austeras não se voltem contra ele
Foto: Mateus Pereira/ GOVBA

O governador Rui Costa planeja mandar um pacote de medidas “mais severas” para a Assembleia Legislativa da Bahia nos próximos dias. A classificação foi do líder do governo, Zé Neto (PT), que sempre foi cauteloso com o uso de adjetivos para projetos do Executivo. Se até a liderança governista trata o tema como “rigoroso”, os deputados que se preparem para votar medidas impopulares e a população que aguarde arrocho.

 

Ainda não há detalhes sobre quais são essas medidas. O governador deu apenas sinais de que haverá um enxugamento da máquina, privatização de empresas públicas “pouco eficientes”, e extinção e incorporação de companhias. Além, é claro, do aperto aos servidores, perpassando por aumento da contribuição previdenciária e o congelamento de reajustes salariais.

 

A oposição vai tentar fazer barulho. Os governistas até podem tentar engrossar o pescoço, no entanto vão esbarrar em um Rui reeleito com mais de 75% dos votos e muito mais forte politicamente do que em 2015, quando assumiu o Palácio de Ondina. O pacote de austeridade, para usar um eufemismo comum na cena política, vai passar a contragosto dos deputados que dificilmente conseguirão mudar os rumos das propostas do Executivo.

 

O rolo compressor, típico de um governo forte, vai ser a grande marca desse final da primeira administração de Rui. Com o governador amparado nas urnas e com a opinião pública inicialmente favorável, os parlamentares sabem que não podem retesar a relação, sob o risco de perderem espaço político a partir de 1º de janeiro, quando efetivamente começa a nova versão do dirigente reeleito.

 

Para além do déficit previdenciário, a máquina pública estadual é cara e precisará ser revista. A não ser que Rui se desvincule da lógica petista – como tem feito com frequência -, os cortes na própria carne não serão significativos o suficiente para impactar no orçamento. Mesmo que a arrecadação bata sucessivos recordes na comparação com exercícios passados, manter a Bahia é uma tarefa complexa e que exigirá malabarismos da Fazenda para evitar que o estado mergulhe numa crise como outras unidades da federação.

 

A Bahia não está mal das pernas, apesar do tom “dramático” utilizado pelo governador. Se estivesse tão ruim assim, o projeto de reeleição não teria sido vitorioso como foi. No entanto, caso a oposição consiga comunicar a possibilidade de “estelionato eleitoral”, hipótese já aventada pelo prefeito de Salvador e presidente nacional do DEM, ACM Neto, é possível que o mar de rosas entre Rui e os eleitores não dure muito. Não parece ser o caminho que a minoria deve tomar, já que saiu extremamente enfraquecida do pleito de outubro. Enquanto os cacos não estiverem reunidos, o governador tem a vantagem da máquina e do discurso.

 

É provável que os projetos encaminhados por Rui não ganhem o apelido de “pacote de maldades”. As medidas, todavia, precisam dar certo para que os baianos não mudem de humor e a lua-de-mel com o governador não acabe antes do casamento ser consumado.

 

Este texto integra o comentário desta segunda-feira (26) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior, Irecê Líder FM, Clube FM e RB FM.