Receita reduzida é desproporcional à demanda de ações contra violência doméstica, diz SPM
Por Jade Coelho
Com um orçamento de R$ 8 milhões por ano, a secretária de Políticas para as Mulheres da Bahia (SPM), Julieta Palmeira, considera que toda receita é “destoante” face ao problema do enfrentamento da violência contra a mulher. A titular da pasta responsável por ações neste sentido no estado considera a violência doméstica uma questão cultural.
"O enfrentamento à violência contra a mulher é um problema de polícia, mas não somente de polícia. É um problema de cultura, que cria homens agressores e mulheres que se transformam em agredidas", disse a secretária. "Temos que combater essa cultura", reforçou.
Diante da receita limitada, a SPM conta com parcerias com outras secretarias para a realização das suas ações, como a da Educação (SEC), Segurança Pública (SSP) e Administração Penitenciária (SEAP). O foco da pasta é realização de ações voltadas à elaboração de política para as mulheres tendo como base dois eixos: o estreitamento da violência e a autonomia econômica e social, "fundamental para que a mulher rompa o ciclo de violência", de acordo com Julieta.
Neste domingo (25), é celebrado o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada três mulheres sofreram violência física ou sexual durante suas vidas. Os agressores são, na maioria das vezes, os próprios parceiros homens. A entidade aponta ainda que a violência contra a mulher gera feridas físicas e psicológicas.
Neste sentido, a SPM vai realizar a partir do dia 28 deste mês um curso de qualificação para os policiais civis da Bahia, para que sejam dadas orientações a respeito do recebimento e tratamento de vítimas de violência nas delegacias. "Uma mulher que está em situação de vulnerabilidade, quando é vítima de violência, precisa ser acolhida. O contingente da Polícia Civil, que são as pessoas que acolhem essas mulheres na delegacia, precisa entender o que está acontecendo com aquela mulher para poder acolher de forma devida", completou.
