‘Quem não fez o mesmo que atire a primeira pedra’: Pais defendem alunos do Vieira
Pais de alunos do Colégio Antônio Vieira divulgaram na segunda-feira (12) um manifesto contra a decisão da unidade de proibir a renovação de matrículas de alguns estudantes para o próximo ano, após o escândalo envolvendo a divulgação de mensagens ofensivas em um grupo de WhatsApp (entenda aqui).
Além da proibição, a escola também excluiu da festa de formatura do 3º ano alguns alunos envolvidos no caso. Na carta, os pais minimizam a atitude dos estudantes, dizendo que tudo não passou de um “blefe de adolescência” para “chamar atenção, chocar, posar ‘do contra’ dentro de um grupo de colegas”. “E, quem não fez o mesmo na adolescência, que atire a primeira pedra. Sendo, a sorte dos adolescentes daquela época, justamente, a inexistência de redes sociais, em especial, WhatsApp”, afirma o documento.
Ainda segundo a carta, os prints das conversas, nas quais estudantes chegam a sugerir a criação de um “ministério da tortura” no governo Jair Bolsonaro (PSL), foram vazados propositadamente para prejudicá-los. “Estão sendo submetidos a um julgamento público, cruel e, principalmente, utilizados como ‘bode expiatório’ por uma imprensa sensacionalista que, a título de ampliar seus níveis de audiência, instiga o ódio político partidário por se tratar de alunos de escola particular ditos de ‘direita’”, diz o manifesto.
Procurada pelo Bahia Notícias, a assessoria de imprensa do colégio disse que não falaria sobre o pedido dos pais e que seu posicionamento sobre o assunto foi feito em carta aberta à sociedade, publicada na última sexta (9). Nela, a unidade de ensino disse que as medidas educativas necessárias estavam sendo adotadas e que as decisões tomadas referem-se “exclusivamente ao âmbito interno da nossa instituição”.
Veja a carta completa abaixo:
"Salvador, 12 de novembro de 2018
Colégio Antônio Vieira
Ilustríssima Senhora Diretora e Conselho Acadêmico
Na qualidade de Pais e alguns Ex-Alunos dessa conceituada instituição de ensino, apresentamos o presente MANIFESTO, o que fazemos nos seguintes termos:
De início, divergimos do posicionamento adotado pelo CAV, no tocante a exclusão de alguns alunos da festa de formatura do 3º. Ano e proibição da renovação matrículas para o ano letivo de 2019 de outros, em flagrante dissonância com os ensinamentos cristãos de amor, acolhimento e perdão.
Nessa linha, APELAMOS para o bom senso desta digna e centenária Instituição de Ensino, a fim de que seja RECONSIDERADA a decisão adotada, face os pontos abaixo descritos:
1. Temos jovens de 14 à 17 anos, que reproduziram, em um GRUPO FECHADO de whatsapp, um discurso de ódio, que eles viram em políticos, celebridades, parentes adultos e na sociedade de forma ampla;
2. Esses adolescentes, obviamente, não tinham noção da dimensão do que diziam, “blefes” de adolescência, uma forma de auto afirmação típica da idade, exatamente, para chamar atenção, chocar, posar “do contra” dentro de um grupo de colegas, os quais não chegaram nem perto de sequer levar essa ameaça à um nível mais sério. E, quem não fez o mesmo na adolescência, que atire a primeira pedra. Sendo, a sorte dos adolescentes daquela época, justamente, a inexistência de redes sociais, em especial, WhatsApp;
3. Esses jovens, em formação, tiveram prints de suas conversas do grupo vazados, propositadamente, com o intuito de prejudicá-los ( se fosse para educá-los seria mantido no âmbito da escola) e estão sendo submetidos a um julgamento público, cruel e, principalmente, utilizados como “bode expiatório” por uma imprensa sensacionalista que, a título de ampliar seus níveis de audiência, instiga o ódio político partidário por se tratar de alunos de escola particular ditos de “direita”;
Isso seria justiça ou revanche? Talvez, e provavelmente, esses adolescentes, pela falta de maturidade, contaminados pela polarização política pre eleição, possam não ter realmente a noção da gravidades das colocações e precisem aprender mais sobre o mundo. Entretanto, não são criminosos, tiveram sua formação escolar no CAV desde remota idade, boa índole, queridos pelos colegas e não merecem ser tratados dessa forma, julgados por um fato pontual, sem levar em consideração o contexto temporal dos acontecimentos externos e internos.
Entendemos que eles devam receber uma repreensão, mas dentro de um critério de proporcionalidade e razoabilidade do que realmente fizeram. De fato, foram mensagens negativas, todavia produzidas por menores em um grupo FECHADO, nada mais que isso. Não chegaram, nem perto, de levar essa suposta ameaça a um nível mais relevante.
Face ao exposto, acreditando que o diálogo e o bom senso prevaleçam, que sejamos mensageiros da paz e da harmonia, apelamos pela defesa da proporcionalidade e da razoabilidade das punições, pautados nos ensinamentos Inacianos, por se tratar do fechamento de um ciclo desses jovens (não simplesmente uma festa de formatura) e a continuidade dos estudos junto a seus colegas, que levem a reflexão, arrependimento e mudança de atitude, a fim de evitarmos a implantação da INJUSTIÇA e de possível sensação de remorso futuro.
Pedimos deferimento."
