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Vésperas de eleição vira momento para concessões ou para tudo ou nada

Por Fernando Duarte

Vésperas de eleição vira momento para concessões ou para tudo ou nada
Foto: Reprodução/ Giancarlo

Os cenários observados ao longo dos últimos dias não tendem a mudar. Até esta quinta-feira (4), as pesquisas sugerem que haverá um segundo turno entre o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) e o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Na Bahia, o governador Rui Costa (PT) deve ser reeleito em primeiro turno. E Jaques Wagner já está praticamente garantido no Senado.

 

Nos Legislativos federal e estadual, a possibilidade de nomes efetivamente novos aparecerem é bem pequena. Os bolões de apostas apontam a manutenção de muitos mandatos e até os possíveis novatos caminham para serem velhos conhecidos da população – seja por integrarem grupos políticos já existentes, por serem herdeiros ou, simplesmente, por não serem novos.

 

Esses dois últimos dias antes das urnas se abrirem serão marcados por uma inundação de informações. Boa parte delas desencontradas, admitamos. Em um ambiente com notícias falsas amplamente difundidas por eleitores dos mais diversos candidatos, seremos bombardeados por falsos testemunhos, por falsos links e por questionamentos ao papel da imprensa. Portanto, é necessário ter cuidado.

 

Falta muito pouco para termos uma definição sobre o que acontece com o Brasil nos próximos quatro anos. E, ao que parece, todos os candidatos estão dispostos a fazer concessões para chegar a um meio-termo entre o radicalismo e as verdadeiras demandas sociais do país. O principal recuo veio do líder das pesquisas, que ainda nutre esperança de vencer no primeiro turno. Bolsonaro lamentou a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mostrou que, mesma que se pregue contra o sistema, conhece bem os códigos de uma campanha eleitoral. Foi uma jogada importante e que pode causar uma ressignificação de uma parte da ojeriza da qual ele é alvo.

 

Fernando Haddad é outro a fazer acenos contra radicalismos do próprio PT. Porém o pouco tempo que teve como candidato formal ao Palácio do Planalto pode ser relevante para que tenha votos o suficiente para chegar ao segundo turno em condições competitivas para enfrentar Bolsonaro. Ciro Gomes e Geraldo Alckmin, os outros dois melhor estruturados para a corrida, partiram para o tudo ou nada e precisam reverter um quadro oposto ao desenhado atualmente. Missão quase impossível.

 

A eleição de 2018 chega ao final como uma campanha altamente desgastante, com um pré-candidato preso, um candidato alvo de atentado e muitos eleitores frustrados. Na Bahia, nem tanto. Aqui houve uma calmaria grande que beirou a chatice. Encerrado esse processo eleitoral, todavia, possivelmente o Brasil deve estar mais maduro, independente de quem for escolhido para liderar a nação. E continuará sendo uma democracia. Oremos.

 

Este texto integra o comentário desta sexta-feira (5) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior, Irecê Líder FM, Clube FM e RB FM.