Questionamentos sobre apoio de Zé Ronaldo a Bolsonaro marcam segundo bloco de debate
Por Bruno Luiz
O segundo bloco do debate da TV Aratu, que acontece nesta quinta-feira (4), foi marcado por críticas e questionamentos ao apoio de Zé Ronaldo (DEM) a Jair Bolsonaro (PSL).
Inicialmente, Zé Ronaldo (DEM) e João Henrique (PRTB) foram questionados por jornalistas sobre o apoio dos dois a Bolsonaro e qual deles teria a unção do presidenciável na Bahia.
O ex-prefeito de Salvador afirmou ficar “muito feliz” com o apoio de Ronaldo a Bolsonaro, mas questionou se ele realmente apoiaria o capitão da reserva. “Ele recomenda o voto útil, mas não teria deixado Alckmin”, disse. Defendeu também que a coligação PSL e PRTB – Bolsonaro e Mourão – deveria ser replicada em todo o país. Por isso, por ser do PRTB, seria o candidato oficial do presidenciável.
Já Zé Ronaldo reafirmou o apoio a Bolsonaro. Ele ainda insinuou que o R$ 1,4 bilhão supostamente desviados para campanhas de Dilma Rousseff à Presidência, denúncia feita por Antonio Palocci, teria sido usado na campanha de Rui Costa ao governo em 2014.
“Recentemente, Palocci falou que foi R$ 1,4 bilhão desviados para o PT. Será que foi usado nas eleições para o governo estadual? Meu partido apoia Geraldo Alckmin. Meus amigos e as ruas estão pedindo voto no 17”, disse o democrata.
Ao responder pergunta sobre a liderança da Bahia no número de homicídios, João Santana disse que vivemos uma “desgraça na segurança pública”. “Uns 90% dos casos não são solucionados. Insisto que não podemos imaginar em resolver qualquer problema na área sistêmica sem primeiro equilibrarmos as finanças no estado”, apontou.
Já Marcos Mendes (PSOL) defendeu investimentos em educação e na ressocialização como política de segurança pública. “Precisamos investir em ressocialização, na educação. Não queremos matar jovens negros na periferia e dizer que quem faz isso é artilheiro na cara do gol”, disse, lembrando a declaração do governador Rui Costa sobre o caso do Cabula.
Questionado sobre criticar Rui Costa por fazer privatizações na Bahia, mas apoiar quem defende privatizações, caso de Jair Bolsonaro, Zé Ronaldo encarnou o discurso antipetista e disse que o problema do país é o PT. “Defendo derrotar o PT, é isso que estou buscando”, declarou.
Célia Sacramento (Rede) se disse “estarrecida” com o apoio de Zé Ronaldo ao deputado federal. “Gente, ele não”, conclamou a candidata, em referência ao movimento #EleNão, criado por mulheres que se colocam contra Bolsonaro. Ela ainda disse ser contra a privatização.
Outro tema tratado pelos jornalistas foi o direito da Polícia Militar de fazer greve. Questionado sobre o assunto, Marcos Mendes defendeu a possibilidade. Já João Santana disse que a PM não poderia fazer movimentos paredistas. “Defendo mecanismo para que os policiais possam ter formas de reivindicar direitos sem entrar em greve”, ponderou.
Um tema também abordado e trazido regularmente nos debates é fila da regulação, chamada pelos candidatos de “fila da morte”. Célia defendeu que uma das formas de reduzir a quantidade de internações é o investimento em atenção básica na saúde.
“A central da regulação regula quem vai morrer primeiro. A questão da saúde só olhada pelo viés da doença, quando as pessoas chegam morrendo nas UPAs. Vamos tratar antes. Ou cuidamos da atenção básica, ou não vamos para lugar nenhum”, afirmou.
Para resolver a questão, João Henrique prometeu a criação da carreira de médico de regulação. “Faria concurso público criando a carreira de médico de regulação. Defendo também a gratificação de desempenho para essa nova categoria”, disse.
