Terça, 21 de Agosto de 2018 - 00:00

Sob resistência, candidatos a deputado fazem doações para campanha de Rui

por Lucas Arraz / Bruno Luiz

Sob resistência, candidatos a deputado fazem doações para campanha de Rui
Foto: Joilson César / Ag Haack / Bahia Notícias

O período eleitoral atípico deste ano obrigou os partidos a adotarem estratégias igualmente atípicas. Na primeira eleição estadual sem a contribuição de empresas privadas, são os candidatos a deputado estadual e federal da base governista, por exemplo, que terão de doar parte do seu fundo partidário para uma vaquinha destinada a campanha de Rui Costa (PT). Acostumados com o movimento contrário, a inversão de quem paga a conta causou resistência dentro do grupo em um primeiro momento.  

 

O presidente do PT na Bahia, Everaldo Anunciação, definiu a estratégia como uma forma de centralizar a produção das campanhas em torno da figura do governador candidato à reeleição. “Imagina se cada candidato fosse produzir seu programa de rádio ou de televisão? Ficaria muito mais caro”, indagou o presidente. “Como os recursos são poucos neste ano, os partidos vão ratear entre si a produção da campanha que sempre foi uma doação da majoritária para a proporcional”, completou. 

 

Inicialmente, para ajudar a bancar a campanha da base de Rui, os deputados federais teriam que desembolsar R$ 200 mil do fundo partidário. As negociações evoluíram e o Conselho Político decidiu que a conta será dividida entre R$ 100 mil para candidatos ao Congresso que já possuem mandato e R$ 50 mil para os novatos. Para a Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), cada candidato com mandato terá que tirar R$20 mil do próprio bolso e os novatos R$ 10 mil. 

 

FARINHA POUCA
Dos partidos que formam a base de Rui, duas siglas resistiram mais a ideia da vaquinha: PSD e PP. Sonhando em ampliar as suas bancadas, os candidatos do PSD tiveram que acatar a ideia por meio de uma ordem monocrática da direção do partido presidido estadualmente pelo senador Otto Alencar. 

 

No PP, a reclamação foi mais barulhenta. Um deputado ouvido pelo Bahia Notícias contou que a contribuição doeu mais no bolso progressista, pois muitos deputados do partido sofreram sanções ao acompanharem o PT de Rui Costa na Bahia. “Ao irmos contra a direção nacional em votações do impeachment de Dilma Rousseff sofremos penalidades que alcançaram nosso fundo eleitoral e a estrutura de campanha. Tirando mais desse recurso [para a vaquinha], fica complicado fazer qualquer coisa”, revelou um deputado da legenda. 

 

MEU E SEU
Para os que defendem a estratégia, o racionamento durante a campanha virou palavra de ordem. “Vamos cortar alguns gastos, pois acreditamos no projeto maior que é encabeçado por Rui Costa. O governador está com sérias dificuldades, uma vez que a contribuição do PT foi pequena para a campanha da Bahia. Abraçamos a estratégia”, comentou Bacelar, presidente do Podemos, ao falar que instruiu o partido a fazer as contribuições.  

 

Dentro do PT, a esperança é que o investimento na majoritária de Rui puxe o voto de legenda para os deputados contribuintes. “A candidatura de [Luiz Inácio] Lula [da Silva], de [Jaques] Wagner, [Angelo] Coronel e de Rui [Costa] são puxadores de voto. A contribuição é uma solução em um ano que tem que se gastar pouco. Melhor gastar pouco de um dinheiro público do que ficar dependendo de alianças com empresários”, defendeu Afonso Florence, deputado federal pelo PT. 


ANTIGOS HÁBITOS
Na opinião de alguns políticos do conselho ouvidos pelo Bahia Notícias, que acompanharam o processo, a resistência é fruto de um velho hábito dos candidatos ao Legislativo de investir nas suas campanhas pelo interior.  Em uma campanha interiorizada. Porém, apesar do susto com a novidade, a ideia de centralização da campanha está sendo naturalmente aceita dentro da base. 

 

“A resistência foi quebrada naturalmente. Está todo mundo no mesmo bolo, uma vez que todo mundo usa a estrutura. Todo mundo usa o que a majoritária monta para a televisão e a rádio. Mas essas estruturas tem um custo. De gratuito só o horário eleitoral mesmo”, comentou um articulador do processo. 

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