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De olho no 'potencial estético', Celso Athayde estuda ampliar Favela Holding em Salvador

Por Bruno Luiz

De olho no 'potencial estético', Celso Athayde estuda ampliar Favela Holding em Salvador
Foto: Divulgação/ Secis

Fundador da Favela Holding, um conglomerado de 21 empresas com o objetivo de desenvolver econômica e socialmente favelas brasileiras por meio do empreendedorismo, o ativista social Celso Atahyde pretende ampliar em larga escala os negócios do grupo em Salvador.

 

Em entrevista ao Bahia Notícias, Atahyde disse que vê um grande horizonte de crescimento para as comunidades soteropolitanas por causa do “potencial estético” da capital baiana. Eleito como um dos empreendedores do ano pela revista IstoÉ em 2017, o ativista esteve em Salvador nesta quinta-feira (26), para ministrar uma palestra sobre o tema empreendedorismo de impacto social, na 2ª Edição do Seminário Salvador Cidade Inovadora, organizado pela Secretaria Municipal de Cidade Sustentável e Inovação (Secis), em parceria com o Sebrae.

 

Atualmente, a Favela Holding desenvolve dois negócios por aqui. Um deles é o Favela Vai Voando, que vende passagens aéreas e pacotes turísticos a preços mais baixos. O outro é o Comunidade Door, que comercializa espaços publicitários nas favelas, por meio da instalação de outdoors em áreas de grande circulação de pessoas. O objetivo é levar para esses espaços, onde as mídias convencionais não chegam, a mesma publicidade que a população está acostumada a ver no asfalto. Agora, Athayde quer mais. Pensa até em morar na capital baiana, para ampliar a atuação do grupo. 

 

“Acho que aqui é um lugar com potencial mais forte, não econômico, porque São Paulo vai continuar sendo o lugar com maior potencial econômico, até porque tem uma quantidade de favelas maior. Mas Salvador tem um potencial estético, é um tipo de lugar que valoriza muito as coisas locais, não só musicalmente, mas que valoriza muito sua terra. Independentemente das características de cada local, eu acredito muito nesse território por causa da questão étnica. Quando eu falo de favelados, eu falo de preto, e preto me remete a Bahia”, explicou o ativista social, em entrevista ao Bahia Notícias. 

 

REVOLUÇÃO NAS FAVELAS
Fundador da Central Única das Favelas (Cufa), Athayde vê no “empoderamento financeiro” uma forma de revolução dentro das favelas. Ele acredita que, por meio do desenvolvimento econômico, a população desses lugares terá força para definir seus próprios caminhos, dividir o poder com o asfalto e aumentar sua representatividade nos demais campos da sociedade. Por isso, pensa que o povo preto não deve apenas consumir, mas também ser capacitado para produzir suas próprias riquezas. 

 

E, nesse sentido, ele afirma que há um potencial econômico pouco explorado nas favelas. De acordo com Athayde, atualmente, a população negra brasileira produz cerca de R$ 1,6 trilhão, cerca de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. 

 

“As favelas consomem tudo. Se você vai em uma favela em Salvador e vê uma menina com cabelo arrumado, é porque ali cabe um salão de beleza. Se ali cabe um salão de beleza, vale a pena qualificar aquele empreendedor local não para que o serviço seja reconhecido porque a pessoa é sua vizinha, mas pela qualidade de sua entrega”, afirmou.

 

“As pessoas, de um modo, veem essas pessoas como pessoas carentes, não de forma potente”, seguiu Atahyde. Ainda segundo ele, há cidades brasileiras que são referências para determinadas questões. E passar por elas é uma forma de mostrar que é possível “mudar a vida desses territórios”. 

 

“Tem certos lugares que são referências para assuntos que a gente está falando: Rio de Janeiro de mídia, São Paulo poder econômico e Salvador da população negra. Vindo para cá para Salvador, eu meio que fecho um ciclo, que é da potencialidade e da comprovação de que é possível, sim, mudar a vida desses territórios”, explanou.