SSP diz que Atlas da Violência não reflete realidade da área no país
Com quatro cidades baianas entre as 10 mais violentas do Brasil, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) afirma que os dados do Atlas da Violência não refletem a realidade da área em todo o país. Para justificar sua contestação, a pasta aponta que outros Estados brasileiros utilizam exclusivamente o banco de dados do Datasus, que é alimentado pelas secretarias municipais de saúde e fornecem o local de residência da vítima e não da ocorrência do crime. Em nota, a SSP afirma que as taxas de Crimes Violentos Letais Intencionais, configurados como homicídio, latrocínio e lesão corporal dolosa, foi de 96,3 em Eunápolis, 85,4 em Simões Filho, 66,3 em Lauro de Freitas e 64,4 em Porto Seguro – essas foram as quatro cidades em destaque no Atlas (confira aqui), divulgado nesta sexta-feira. Apresentado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o levantamento é feito a partir de dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde. Já a SSP explica que, diferentemente do Atlas, sua contabilidade não inclui ocorrências de legítima defesa, de criminosos mortos em confronto com a polícia e de mortes a esclarecer. A pasta do governo estadual acusa ainda o documento de descartar a análise feita pelo Ministério da Justiça, com base nos dados fornecidos pelas secretarias de Segurança Pública de cada Estado. Aproveitando o ensejo, a SSP chama o Fórum de irresponsável, denunciando a falta de cumprimento de acordos firmados. Segunda a pasta, a entidade abandonou um contrato de consultoria em segurança, com custo de R$ 2 milhões, no âmbito do programa "Pacto pela Vida", declarando impossibilidade de concluir a tarefa. Por conta disso, o fórum foi alvo de uma multa, sendo impedido de participar de novas licitações do governo da Bahia por 315 dias.
