Pesquisas brasileiras na Antártica estão paradas por falta de recurso
A chefe da estação brasileira na Antártica, Tamara Dantas, alertou que algumas pesquisas estão paralisadas por falta de recursos. Durante encontro na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (6), a pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB) falou sobre a expectativa em relação ao edital que deverá ser lançado em julho, com previsão de R$ 14 milhões, para o desenvolvimento dos estudos brasileiros na região. Segundo o portal da Câmara, o último edital do Ministério da Ciência e Tecnologia, de 2013, destinou 11 milhões de reais às pesquisas na Antártica. “Todos os recursos já foram esgotados. Existem pesquisas que têm um custo muito alto, um custo de laboratório, um custo de coleta muito alto, então pesquisas podem ser financiadas três, quatro anos com cerca de R$ 1 milhão”, relatou Tamara Dantas. Entre os meses de outubro e fevereiro, cerca de 200 cientistas brasileiros vão à Antártica para realizar pesquisas em diversas áreas, como glaciologia, mineralogia e biologia. Importância das pesquisas. Organismos presentes na Antártica são fontes de substância para combater doença de chagas, leishmaniose, tuberculose, malária e alguns tipos de câncer. As pesquisas na Antártica são importantes até mesmo para o combate aos vírus da dengue e da chikungunyia. No encontro na Câmara, promovido pela Frente Parlamentar Mista de Apoio ao Programa Antártico Brasileiro em parceria com a Marinha, foi apresentado um balanço dos trabalhos. Os pesquisadores contam com a logística oferecida pela Marinha, principalmente nos sete meses de inverno. Durante esse período, quando as temperaturas alcançam 30 graus abaixo de zero, uma equipe de 16 militares é responsável por manter a estação funcionando. "Hoje, para mantermos o projeto vivo, precisamos de R$ 38 milhões por ano. A Marinha tem contribuído com quase toda a totalidade do valor, além da Petrobrás e da Força Aérea Brasileira. Mas hoje precisamos de R$ 230 milhões, no mínimo, para um novo navio polar com a capacidade de quebrar gelo”, completou a pesquisadora. A título de comparação, os Estados Unidos têm 3 estações e 5 navios quebra-gelo, a Argentina tem 4 estações – uma a mais do que o Chile – e 4 navios desse tipo, o mesmo número de navios do Chile. A África do Sul, com uma estação, tem o navio polar que falta ao Brasil.
