Testemunha envolve vereador e miliciano no assassinato da vereadora Marielle Franco
Foto: Renan Olaz / Divulgação / CMRJ

Uma testemunha ouvida no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol) associou sua morte a um vereador e a um miliciano do Rio de Janeiro. O depoimento foi dado por um homem que trabalhou para um dos mais violentos grupos paramilitares do estado. De acordo com informações do jornal O Globo, ele procurou a polícia para, em troca de proteção, afirmar que o vereador Marcello Siciliano (PHS) e Orlando Oliveira de Araújo, ex-PM preso sob acusação de chefiar uma milícia, queriam a morte da vereadora. Informações sobre datas, horários e locais de reuniões entre os dois foi divulgada pelo homem, além de detalhes sobre o planejamento da execução. Hoje o miliciano cumpre pena em Bangu 9. No depoimento, a testemunha afirmou ter presenciado ao menos quatro conversas entre os dois, que mesmo preso ainda chefia a milícia. Ele forneceu quatro nomes de homens que teriam sido escolhidos para o assassinato. "Eu estava numa mesa, a uma distância de pouco mais de um metro dos dois. Eles estavam sentados numa mesa ao lado. O vereador falou alto: 'Tem que ver a situação da Marielle. A mulher está me atrapalhando'. Depois, bateu forte com a mão na mesa e gritou: 'Marielle, piranha do Freixo'. Depois, olhando para o ex-PM, disse: 'Precisamos resolver isso logo', disse em depoimento. Em seus depoimentos, ele mencionou os nomes de pelo menos 15 pessoas, incluindo policiais, bombeiros e empresários, que seriam participantes do grupo comandado pelos dois. A testemunha era obrigada a trabalhar como segurança do miliciano. Ele foi ameaçado de morte durante a instalação de um equipamento de TV a cabo que estava em processo de regularização. Com a ameaça, ele foi coagido a trabalhar para o grupo criminoso. "Fui coagido: ou morria ou entrava para o grupo paramilitar. Virei uma espécie de segurança dele. Também ficava responsável por levar o filho para a escola; acompanhava a mulher de Orlando para compras em shoppings", disse. A desavença entre o vereador e Marielle teria sido motivada pelas suas ações comunitárias na Zona Oeste, área de interesse de sua milícia. " Ela peitava o miliciano e o vereador. Os dois (o miliciano e Marielle) chegaram a travar uma briga por meio de associações de moradores da Cidade de Deus e da Vila Sapê. Ela tinha bastante personalidade. Peitava mesmo", disse em depoimento.

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