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Deputada quer delegacias especializadas em crimes de discriminação de cor, etnia e religião

Por Rebeca Menezes

Deputada quer delegacias especializadas em crimes de discriminação de cor, etnia e religião
Caso de Tia Má inspirou Luiza Maia | Foto: Divulgação

A deputada estadual Luiza Maia apresentou à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) um projeto que defende a criação de delegacias especializadas na investigação de crimes de discriminação contra raça, cor, etnia e religião. Assim como as Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deam), o objetivo seria garantir um tratamento digno para aqueles que, após serem discriminados, acabam tendo seu direito dificultado por funcionários sem treinamento e sem compreensão do impacto psicológico e emocional que o racismo ou intolerância provocam nas vítimas. A ideia de Maia sobre uma delegacia especializada surgiu de uma experiência dentro da própria família. “Tenho quatro filhos adotados, todos negros, e sei o que eles passaram em muitos momentos”, contou ao Bahia Notícias. Porém, o estopim foi o caso da jornalista Maíra Azevedo, mais conhecida como Tia Má, que denunciou em março deste ano a ofensa de injúria racial seguida de ameaça de morte que recebeu por meio das redes sociais (relembre aqui). “Depois daquele episódio de Tia Má, isso me chamou mais a atenção. A gente já vinha discutindo e o pessoal pesquisou se já existia essa delegacia e não tem. É a mesma coisa da delegacia da mulher. Você vai fazer uma queixa em uma delegacia normal, os profissionais não estão preparados, alguns não acreditam, tem gente que acha que não tem racismo... Os racistas fazem essa campanha de que não existe o racismo, que vivemos em uma democracia racial e que, se não existe, não tem o que combater”, lamentou a deputada. Para Maia, uma delegacia especializada em questões raciais e religiosas poderia dar mais segurança à vítima de que seu caso será levado a sério, além de coibir novos casos. “A gente está vendo as pessoas sofrendo com isso. Tia Má, como está em evidência e é uma jornalista, uma pessoa com muita consciência política, soube tomar a atitude correta. Mas você vê o que fizeram com ela, que fazem com jogadores de futebol... Acho que a criação dessa delegacia ajuda a inibir, a acolher essas pessoas que sofrem com racismo de uma forma humana, fraterna, do que você chegar em uma delegacia normal e as pessoas não darem importância, não terem cuidado com essa situação. O racismo é uma coisa muito entranhada na sociedade, mas ele é velado”, explicou. “A questão da intolerância religiosa, tem pessoas que não têm nenhum respeito pelas religiões de matriz africana. Acham que é do demônio, que é maluquice. E você precisa ter não só combate, como campanhas educativas e punição, porque se você não pune, as pessoas acham que não é crime, e é crime sim. Vivemos em um Estado ‘laico’ e precisamos respeitar a religião de todo mundo”, completou. A parlamentar disse entender que há limites orçamentários no governo do Estado, mas convocou grupos de defesa aos direitos de negros e instituições religiosas a se unirem para pressionar os seus colegas na AL-BA. “A gente compreende que nosso governador tem limites orçamentários, mas pelo menos uma ou duas, o que pudesse, [ajudaria] para as pessoas pelo menos terem referência”, avaliou.