‘Tendência’ de Carletto é ficar no PP, afirma Cacá; Araújo diz não ter sido informado
Por Bruno Luiz
A novela Ronaldo Carletto (PP-BA) ganhou mais um capítulo. Após dizer que a mudança para o PR estava certa (relembre), o deputado pode ter sido convencido a continuar no atual partido. Em entrevista ao Bahia Notícias, o deputado federal Cacá Leão (PP) disse que, após uma conversa entre os dois, com participação do vice-governador João Leão (PP), Carletto ficou balançado ao permanecer no ninho progressista. No entanto, o próprio Cacá foi enfático ao dizer que o parlamentar baiano ainda não decidiu nada e pediu tempo para refletir. “Eu acredito na permanência dele. Mas quem vai tomar essa decisão é o próprio deputado”, reiterou. Sobre a conversa, Cacá afirmou ter conseguido sensibilizar aquele que foi quase ex, mas agora pode continuar correligionário. “Mostramos a ele os prós de continuar conosco e a nossa relação pessoal”, contou. Questionado sobre se a permanência de Carletto no PP significaria o fim dos planos dele de concorrer ao Senado, já que a vaga do partido na majoritária do governador Rui Costa (PT) é de João Leão, o deputado baiano disse que “o ficar dele não quer dizer que ele tenha aberto mão de pleitear esse espaço”. “Mas ele sabe da condição do vice-governador. Isso é uma decisão partidária de construção”, declarou Cacá, ao tentar despistar também, dizendo que o PP pode ter duas vagas na majoritária. Presidente do PR na Bahia, José Carlos Araújo disse, no entanto, que ainda não foi informado por Carletto sobre a permanência no PP. “Até agora, ele não me comunicou nada. Continuamos conversando e estamos fechando exatamente a filiação. Até o dia 7 [fim do prazo da janela partidária], qualquer dia é dia”, afirmou. O ato de filiação dele estava previsto para o dia 2 de abril. A provável continuidade de Carletto no PP indica o fracasso de um plano político que começou com a promessa de ser uma bela articulação política, mas acabou não passando de engodo. Primeiramente, o parlamentar tentou fortalecer o Pros, colocando no partido três deputados estaduais: Jurandy Oliveira, Alan Castro e Manassés. Articulou, ainda, o ingresso de outros deputados estaduais e de mais um federal com ele no PR. Assim, formaria um grupo de apoio que lhe daria força para pleitear uma vaga para o Senado na chapa majoritária do governador Rui Costa. No entanto, depois começaram os revezes. Primeiro, Alan Castro e Manassés deram uma rasteira na articulação de Carletto ao se filiar no PSD. Depois, alguns deputados que iriam do PP para o PR demonstraram vontade de não fazê-lo, casos de Aderbal Caldas, Luiz Augusto e Roberto Britto. Restou ao parlamentar apenas ele mesmo e seu fiel escudeiro, o deputado estadual Robinho. Por outro lado, o não êxito dessa articulação pode acabar prejudicando também o PR. A avaliação de nomes da base governista é que, sem Carletto e seu prometido séquito, a sigila virou um partido sem cobiça, tanto por Rui quanto por Neto. O Bahia Notícias tentou entrar em contato com o progressista para confirmar a permanência, mas não obteve êxito.
