Para manter controle, ACM Neto desautoriza 'anúncios' de decisão sobre candidatura
Por Fernando Duarte
Por receio de vazamento da decisão final sobre a renúncia ou não ao cargo de prefeito, ACM Neto desautorizou aliados a falarem em nome dele sobre a hipótese de ser candidato ao governo da Bahia em 2018. A postura já era esperada, porém foi confirmada pelo próprio prefeito ao Bahia Notícias. Ainda que não adote o tom, a medida é um esforço para evitar a perda do controle do grupo político liderado por ele, que aposta alto para que ACM Neto se candidate a governador contra a tentativa de reeleição de Rui Costa (PT). Até o dia 7 de abril, prazo final para que essa novela tenha um fim definitivo, o prefeito seguirá com as costuras políticas que podem tê-lo como cabeça de chapa ou apenas como um apoiador de grosso calibre. ACM Neto é o nome mais forte da oposição para, de alguma forma, ameaçar o favoritismo de Rui. Se depender dos aliados e até mesmo dos assessores, a campanha dele já está confirmada a partir de abril. Não parece ser essa a instrução do próprio prefeito. Segundo relatos daqueles que participaram da rodada de conversas dele com vereadores, deputados estaduais e deputados federais, o presidente nacional do Democratas possui argumentos plausíveis para permanecer como prefeito. Mas também arregimenta justificativas para deixar a prefeitura e ser candidato ao governo – mitigando os eventuais impactos negativos de sair do posto apenas 15 meses depois de ser reconduzido ao Palácio Thomé de Souza. Ao restringir o anúncio da candidatura ou não apenas a si, o prefeito de Salvador tenta controlar ao máximo a narrativa criada em torno da situação. O esforço para manter essa estratégia talvez seja o maior trunfo de ACM Neto frente aos aliados. Senhor do seu próprio destino, o prefeito quer evitar que políticos do entorno tentem se capitalizar eleitoralmente sem o aval dele. Isso vale não apenas para aqueles que apoiam sua virtual candidatura. Vale principalmente para esse grupo, mas não apenas. Ao estar desautorizado a falar em nome do prefeito, nenhum aliado pode tomar para si os impactos de um anúncio como o da eventual renúncia. E, ainda que tenham pressionado para que o resultado final do processo seja a candidatura de ACM Neto, qualquer sinal de “ameaça” poderia fragilizar a imagem de líder construída no entorno do prefeito. Para aqueles que preferem o adiamento da candidatura para 2022, a lógica é a mesma. Não há porque o gestor da capital baiana transferir para eles o controle do discurso sobre o futuro político dele num curto prazo. Os últimos movimentos do grupo da oposição sinalizam que ACM Neto é candidato e vai renunciar a prefeitura. Nada impede que a mobilização seja apenas mais um movimento no xadrez eleitoral da Bahia, gastando alguns “peões” para despistar sobre a verdadeira estratégia. Como afirmou em mais de uma oportunidade, o prefeito não trata a próxima eleição como se fosse a última. Não seria uma surpresa se a postura de ACM Neto seja ir contra a maré que o empurra para as urnas. Este texto integra o comentário desta terça-feira (20) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior FM, Clube FM e Irecê Líder FM.
