Projeto de indicação abre debate sobre propaganda em fardas de escolas públicas
Por Guilherme Ferreira
Um projeto de indicação aprovado na Câmara de Salvador na última semana provocou um debate relacionado à educação na cidade. A proposta do vereador Felipe Lucas (PMDB) sugere que a prefeitura possa firmar convênios com empresas privadas para doação de uniformes escolares aos estudantes das escolas públicas municipais. Em troca, as empresas poderiam gravar suas logomarcas no fardamento doado. O projeto de indicação não tem força de lei e serve apenas como sugestão à prefeitura, mas provocou críticas entre vereadores da bancada de oposição da Câmara, que votaram contra a proposta, e outros grupos ligados à educação, como a APLB de Salvador, sindicato que reúne professores da rede municipal. A principal crítica é no sentido de evitar que os estudantes se tornem "garotos-propaganda" de empresas. "Somos terminantemente contra. Estudante não é pra fazer propaganda. Tem que ter somente a marca da escola e da prefeitura", reclamou Elza Melo, presidente da APLB Salvador. Por outro lado, Felipe Lucas (PMDB) sustenta que o apoio da iniciativa privada pode ajudar a prefeitura a realizar outros investimentos em benefício dos estudantes. "Esses milhões que serão economizados com fardamentos, serão destinados para certos fins", comentou o vereador, citando como exemplo possíveis investimentos em salas com ar-condicionado ou a reforma de escolas. Para a APLB Salvador, no entanto, a proposta de publicidade nas fardas não deve sair do papel, mesmo com as eventuais vantagens citadas pelo vereador. "Não interessa pra nós. Isso cabe à prefeitura, ela tem verba pra isso", argumentou Elza. "Somos contra qualquer tipo de propaganda porque aluno não é outdoor de empresa", afirmou. O autor da proposta ainda afastou a possibilidade do uniforme dos estudantes se tornarem grandes placas de publicidade, como criticaram opositores da Câmara. O texto aprovado pelos vereadores não estipula um tamanho padrão para a eventual publicidade, mas Felipe Lucas garante que ela apareceria apenas em um "lugar discreto, que não traga constrangimento". Questionado pelo Bahia Notícias sobre o projeto de indicação, o secretário municipal de Educação, Bruno Barral, disse não ter conhecimento completo do teor do texto e preferiu não comentar sobre a possibilidade de colocar propagandas nos uniformes. "Não tenho acesso ao conteúdo para externar uma opinião", despistou Barral.
