Mudança do Garcia: Movimento pede fim de manicômios e mais Caps na Bahia
Por Francis Juliano/ Cláudia Cardozo
A luta antimanicomial marca presença na Mudança do Garcia, que ocorre na tarde desta segunda-feira (12), em Salvador. De acordo com a psiquiatra Mônica Nunes, os Centros de Atendimento Psicossocial (Caps) são uma boa iniciativa e uma solução eficiente para o problema manicomial no Brasil. Segundo seu relato, os indicadores demonstram que a Bahia tem um bom número de unidades, mas em Salvador, os dados são abaixo da média nacional. “A Bahia, mesmo com um bom indicativo, ainda precisa aumentar o número de Caps. As unidades precisam ser melhores distribuídas no estado”, avalia. Mônica diz que, cidades grandes como Feira de Santana, também precisam de mais unidades, por ter um hospital colônia para dar suporte no tratamento terapêutico. A psiquiatra assevera que o momento é delicado para a luta antimanicomial, diante do retrocesso que vive o país. “Em dezembro, uma portaria determinou a volta com os hospitais psiquiátricos. Estudos demonstram que os serviços abertos são mais eficientes. E importante que a gente continue na direção que o Brasil estava indo, avançando. A nossa luta é contra o retrocesso e pelo plano recém-aprovado em nível de estado que precisamos atender”, afirma. O plano estadual de saúde mental foi aprovado pelo Conselho Estadual de Saúde em 2017. A psiquiatra explica que o plano privilegia os centros de atenção social, de atenção à saúde básica. “Tem muitos recursos que se mostram mais efetivos, mas a questão mercantil financeira toma à frente e privilegia ainda os psicofármacos. O retrocesso quer tirar o dinheiro da rede e colocar nos hospitais, consultórios e ambulatórios e não se aproxima da família. Nós queremos resgatar o direito à dignidade e não da estigma”, finaliza.
