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Rei Momo critica industrialização do Carnaval e aponta favoritismo no concurso

Por Ailma Teixeira

Rei Momo critica industrialização do Carnaval e aponta favoritismo no concurso
Foto: Cláudia Cardozo / Bahia Notícias

Por pouco, o concurso de Rei Momo para o Carnaval 2018 não foi cancelado. De início, a Federação das Entidades Carnavalescas e Culturais da Bahia alegou falta de tempo, depois voltou atrás, mas ainda assim a seleção foi marcada por conflitos, como a desclassificação de alguns candidatos que se atrasaram. Até que o professor de História André Luís, o Dallas Lewes Addamis, foi eleito campeão na noite de 31 de janeiro. “Este ano, como foi tudo em cima e não teria mais o concurso, eu não tinha me preparado mesmo. Como eu já tinha a fantasia lá, que foi a fantasia da Mangueira, e que fazia homenagem a Maria Bethânia, eu só dei uma incrementada nela e preparei meu repertório musical. E teve também a insistência dos amigos, que já estavam ‘Rei Momo de Carnaval é você’ e tudo”, afirma, acrescentando que o título foi uma surpresa. Dallas já havia concorrido em 2017, mas acabou em segundo lugar. Já nesta edição, ele venceu por 84 votos, apenas dois pontos de diferença para o segundo lugar, o chef Jô da Bahia. Para o professor, esse placar acirrado demonstra um “favoritismo” por parte da organização do concurso, já que é comum que um Rei Momo se reeleja em edições diferentes – tanto o segundo quanto o terceiro colocado, o conselheiro tutelar Renildo Barbosa, já foram coroados. "Não querendo desqualificar os outros candidatos, todo mundo fez uma ótima apresentação, eu adorei, mas eu achei a diferença muito miúda. Isso eu vim cair a ficha na segunda-feira, me deixou muito triste na segunda e na terça quando eu vi que foi só dois pontos de diferença para o segundo candidato. Já para o terceiro, foi a diferença realmente absurda, então eu queria descobrir que tendência foi essa porque eu vi a apresentação do segundo lugar e eu, além de fazer uma performance carismática, alegre, passei por vários ritmos", questiona. Além das confusões que permearam essa eleição, o professor critica também a industrialização do Carnaval de Salvador, que acredita ter sido o fator responsável pela desvalorização da figura do Rei Momo. Ele pontua que hoje os camarotes fazem suas próprias festas dentro do circuito e que os holofotes estão voltados para os grandes artistas, não mais para o intitulado rei da folia. "Antigamente, o Rei Momo tinha todos os privilégios. Ficava nos melhores hotéis, os camarotes faziam questão de ter o Rei Momo, que era um chamariz, era uma honra, era uma augusta honra ter o Rei Momo, que é representante da folia, do Carnaval, em seus camarotes. Hoje não, as portas se fecham", lamenta. Em entrevista ao Bahia Notícias, Dallas falou também sobre a participação de ritmos musicais de outros Estados no Carnaval da capital baiana, sobre a criação de um novo circuito "de grande porte" para comportar todo o público e outros assuntos ligados à folia. Clique e confira a entrevista completa.