Cavalo Marinho I mudou motores e instalou lastros que engenheiro disse desconhecer
Por Luana Ribeiro / Fernando Duarte
A embarcação Cavalo Marinho I, cujo naufrágio causou a morte de 19 pessoas no último mês de agosto, passou por mudanças estruturais após a vistoria realizada pela Marinha quatro meses antes. De acordo com o inquérito apresentado nesta terça-feira (23) pelo órgão, “o armador levou a embarcação ao estaleiro e instalou, mudou motores e instalou lastros que o engenheiro diz desconhecer”. “Não houve uma supervisão técnica devida para a instalação dos laudos”, afirmou o comandante do 2º Distrito Naval, vice-almirante Almir Garnier Santos. Segundo a apuração da Marinha, o engenheiro, no entanto, também fez cálculos de estabilidade que não atendiam “a todos os critérios que a norma obriga a ter”. “Deveria ter sido feita uma licença de alteração após os pesos terem sido instalados, com um estudo de estabilidade. Não realizaram”, afirmou o comandante. O órgão ainda frisou que não cabe a Marinha supervisionar estaleiros, onde teriam acontecido as alterações estruturais na embarcação que resultaram no desastre. “A Marinha supervisiona a navegabilidade das embarcações. E também sabemos que não é correto que há uma presunção de competência legal em cada órgão, senão a vida fica um inferno. A Marinha não tem estatuto legal para fiscalizar obras em estaleiros. Portanto, é possível que coisas estranhas aconteçam. Todos nós já ouvimos falar de pessoas que levam o carro para vistoria no Detran pegando pneu novo emprestado do vizinho e depois coloca o pneu careca pra rodar”, exemplificou o comandante. Além do engenheiro, também foram responsabilizados o dono da empresa, por negligência, e o comandante da embarcação, por imprudência (veja mais aqui).
