CTB: Problemas de comunicação criam ilusão de que 'está tudo normal'
Por Francis Juliano / Luana Ribeiro
A baixa adesão aos protestos contra as reformas do governo Michel Temer, centrada praticamente na participação de representantes sindicais, é alvo de análise dos líderes dos movimentos organizados. Para o presidente da CTB na Bahia, Pascoal Carneiro, uma dificuldade enfrentada para a convocação dos trabalhadores é a restrição em relação aos meios de comunicação. “Os nossos meios de comunicação ainda são muito pequenos. O governo conta com a grande mídia, canais de TV aberta, e isso tira um pouco a capacidade do trabalhador, que acha que essa reforma vai ser boa para os trabalhadores do país, que se fizer a reforma o país vai crescer. Isso é mentira. Porque na verdade essa reforma é para entregar a Previdência aos banqueiros. Banqueiro não vai dar dinheiro para o trabalhador”, argumenta. Carneiro acredita, no entanto, que as consequências geradas pelas reformas resultarão em maior adesão futura. “Nós acreditamos que vai ter crise e o trabalhador vai acordar. Vai acordar e vai manifestar”.

A vice-presidente da entidade, Rose de Souza, atribui a falta de participação a um déficit educacional. “Ele [o trabalhador] só tem um viés de comunicação. Até o lazer dele está sendo retirado; condição de estudar para se apropriar dessa informação fica prejudicada. Com isso cria uma perspectiva na cabeça dos trabalhadores de que está tudo normal. Então ele não consegue identificar essas perdas trabalhistas e com isso ele acha que, com a crise do desemprego, ele ficar nessa acomodação é mais tranquilo”, avalia. “Não consegue identificar que essa chamada que estamos fazendo, no sentido de estar mostrando para eles a necessidade dele colaborar, vai atingir ele futuramente daqui a 20 anos – são os jovens de hoje, são os filhos. É uma geração. É isso que falta eles reconhecerem”, afirma.
