Existe ‘espírito de censura’ parecido com o da ditadura, diz pesquisadora da Tropicália
Por Lucas Arraz
Há 50 anos e alguns dias Caetano Veloso e Gilberto Gil deram início a uma revolução no seio da cultura brasileira quando apresentaram as músicas “Alegria, Alegria” e “Domingo no Parque” no Festival de Música Popular, em 21 de outubro de 1967. Os cantores misturaram o berimbau das massas com a estrangeira guitarra elétrica americana e bugaram quem ouvia as apresentações. Este foi o pontapé inicial do movimento que mais tarde seria conhecido pela alcunha de Tropicália, personificado pelo disco-manifesto “Tropicália ou Panis et Circencis”. Caetano e Gil não inventaram a mistura, mas bagunçaram um Brasil dicotomizado com um som que era erudito e popular, político, mas não proselitista. Rejeitado, mas reflexo do brasileiro miscigenado. Estudar os impactos da Tropicália na formação cultural do Brasil é o objeto de estudo de Ana de Oliveira. Com seu livro-objeto “Tropicália ou Panis et Circencis”, a pesquisadora referência no assunto analisa o que o movimento musical semeou e não poupa importância para tal relação. “Não é possível compreender o que é ser brasileiro sem passar pelo Tropicalismo”, defende a pesquisadora, que resolveu relançar seu livro no cinquentenário do movimento e em um Brasil tão parecido quanto o de 1967. “Existe esse espírito de censura às artes hoje no Brasil”, conta. “Não sei se precisamos de um novo Tropicalismo, mas o Brasil está muito parecido com o que rejeitou ‘É proibido proibir’ sem ao menos escutar a canção”, completou Ana de Oliveira em entrevista que explorou a importância da Tropicália para a formação cultural do Brasil, como também suas relações com o momento que vive o funk, estilo marginalizado como um dia o movimento tropicalista foi. (clique aqui e leia a entrevista na íntegra)
