Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias
Você está em:
/
Notícia
/
Geral

Notícia

Empresário diz que menção a 'DNA africano' era ironia: 'Talvez não tenha colocado entre aspas'

Por Luana Ribeiro

Empresário diz que menção a 'DNA africano' era ironia: 'Talvez não tenha colocado entre aspas'
Foto: Reprodução / Facebook

Após uma postagem sua ter repercutido nas redes sociais, referente ao movimento separatista organizado no Sul do país, o empresário Leonardo Dias afirmou nesta quinta-feira (5), em entrevista ao Bahia Notícias, que tem sofrido “linchamento moral” após a afirmação ter sido veiculada (clique aqui). Em uma publicação da Veja no Facebook, com o link para a reportagem sobre o plebiscito informal que será realizado para avaliar a separação entre o Sul e o resto do Brasil, Leonardo escreveu: “Com certeza fica melhor que o Brasil. Só o DNA africano em menor proporção já ajuda muito no desenvolvimento do futuro país”. De acordo com o empresário, a fala era uma ironia, remetendo a brincadeiras feitas em um grupo que existe há mais de 15 anos. “Na época, qual o contexto da fala: tem uma rivalidade entre os estados, Bahia e Pernambuco, e os times de futebol que eu acompanhava. Mais ou menos por volta de 2006, 2007, não sei exatamente quando foi, teve uma dessas falas que o ex-coordenador do curso de Medicina daqui da Bahia, de forma infeliz, falou mais ou menos o seguinte: a nota baixa no Enade, que foi o exame nacional obrigatório para quem vai se formar, dos alunos do curso, se deu porque os alunos são incapazes. Ele tentou explicar essa incapacidade de forma mais infeliz ainda, ele disse: ó, os alunos baianos tem o DNA do QI africano, alguma coisa nesse sentido. Ele até deu uma frase que virou manchete nacional, alguma coisa assim: ‘o baiano só toca berimbau porque só tem uma corda’”. Leonardo faz menção a declarações, em 2008, do então coordenador do curso de Medicina da Ufba, Antônio Natalino Dantas, quando o conceito obtido no Enade foi 2. Dantas atribuiu o desempenho ruim ao "baixo QI dos baianos" e disse que "o baiano toca berimbau porque só tem uma corda. Se tivesse mais [cordas], não conseguiria". Com a repercussão do caso, Dantas renunciou ao cargo alguns dias depois.

De acordo com Leonardo, a referência ao caso do professor era usado nesse grupo. “Isso foi um prato cheio na época, na brincadeira de menino – não adolescente, já era adulto, mas em outra fase. Começaram a falar até o baiano admite isso...  Assim como o pessoal chamava o cearense de cabeça chata, o pernambucano falavam o negócio do tubarão, que pegava as pessoas lá...”, conta. Leonardo aponta, em sua defesa, ainda que é baiano e que tem uma avó negra. “Então eu, na verdade, defendia sempre o lado da Bahia. Na brincadeira, naquela época, não me ofendia com esse tipo de brincadeira. E assim como eles faziam contra mim, eu falava deles a questão lá do tubarão”. Segundo Leonardo, muitas pessoas vinham à Bahia para assistir jogos, inclusive gaúchos, para ver partidas do Grêmio. “E o pessoal gaúcho vinha para cá e brincava com o pessoal da Bahia: ‘ah, o baiano tem QI baixo e o próprio baiano admite. O diretor do curso falou isso e ficava sempre brincando com isso”. O empresário afirma que a frase postada no Facebook não foi dita por ele, mas “por esse mesmo pessoal gaúcho”. “Talvez não tenha colocado entre aspas. Mas não precisava colocar entre aspas, até porque quem estava lá no contexto entenderia exatamente do que se tratava. Eu coloquei dizendo que eles diziam isso, não que eu estou dizendo isso, até porque eu sou baiano. Eu coloquei no sentido de que eu estou colocando isso aí, tipo que para eles vai ficar muito bom, já que eles acham que são superiores”, explica. “Todo mundo que era do grupo entende, quem já participava entende, quem falava isso era eles. Eu justamente rebatia. Estou falando de coisas de 10 anos atrás, imagine”. Mestre em Ciências Sociais e Ciências Políticas pela Ufba (porém não mais atuante na área), Leonardo atribui a difusão de seu comentário a pessoas que estão tentando destruir reputações – no caso dele, por saber que ele já foi de esquerda e hoje não tem mais o mesmo posicionamento político. “Simplesmente é uma questão política, eu queria deixar isso bem claro, porque eu já fui na época ligado ao pessoal de esquerda, sou conhecido justamente porque estudei em uma faculdade da Ufba, e eu não sou mais adepto disso, não concordo com esses acontecimentos do país, que é colocar a ideologia do ódio mesmo em prática. Colocar o branco para ter raiva do negro, o negro para ter raiva do branco. Feminismo, a mulher ter raiva do homem, achar que o homem é inimigo dela necessariamente. É colocar o homossexual para ter ódio da sociedade, e as pessoas caem nessa onda de ficar monitorando as pessoas no politicamente correto”, afirma. “Sou ferrenho opositor a esse pessoal, que chamo de esquerdopata mesmo. Eu conheço muito de perto, porque estudei lá na faculdade, em São Lázaro o mestrado também, e vi muito bem como funciona. É uma manipulação pura no conteúdo curricular. Quero deixar bem claro, é uma questão política”. Como exemplo, ele lembra um evento para o qual foi convidado na Câmara Municipal para um debate sobre o projeto de “Escola sem Partido”, proposto pelo vereador Alexandre Aleluia (DEM). “E esse mesmo pessoal que está escrevendo contra mim foi o pessoal que estava lá na Câmara – fui convidado, participei lá – e eles começaram a me xingar, só porque eles me conheciam. Eu fui secretário de Candeias, participei de executiva de partido, e hoje não quero mais conta com política justamente por causa disso, porque sei que o jogo é muito sujo”, relata.