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Caso JBS: Depoimento de Marcello Miller ao Ministério Público dura 10 horas

Caso JBS: Depoimento de Marcello Miller ao Ministério Público dura 10 horas
Foto: Divulgação / MP-MG

O ex-procurador da República Marcello Miller depôs à Procuradoria Regional da República da segunda região por dez horas. A oitiva começou por volta das 15h30 desta sexta-feira (8) e durou até a 1 hora da manhã deste sábado (9). De acordo com a Folha de S.Paulo, ele não falou com a imprensa quando deixou o local, mas seu advogado, André Perecmanis, disse apenas que as denúncias contra seu chefe são "infâmias". O ex-procurador foi intimado em procedimento interno da Procuradoria-Geral da República que decidirá pela revisão ou não do acordo de delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS. Nesta mesma sexta-feira, o procurador-geral Rodrigo Janot enviou ao Supremo o pedido de prisão de Miller, Joesley e Ricardo Saud, executivo da JBS. O advogado do ex-auxiliar da PGR criticou o pedido de prisão e disse ter sido informado pela imprensa. "Causa espécie, se for verdade, o pedido de prisão antes do depoimento. Para que o depoimento, então? Se o procurador-geral fez pedido de prisão, para que pediu que ele [Miller] fosse ouvido? As declarações não interessam ao MP? Se existir [o pedido], causa muita espécie e indignação à defesa. Ele passou o dia inteiro e respondeu a todas as perguntas", disse Perecmanis. Segundo ele, o novo áudio de Joesley - que motivou a revisão do acordo, por sugerir atuação ilegal de Miller (entenda aqui) - é "absolutamente desconexo" e foi gravado em "condições que ninguém sabe quais são". Entre as negativas de Perecmanis está a influência de Miller sobre Janot e sua equipe, inclusive, o ex-procurador teria deixado a força-tarefa da Lava Jato em julho do ano passado, muito antes da assinatura do acordo da JBS. "Ele não tem contato com o procurador desde outubro do ano passado. Ele nunca foi emissário de ninguém, nunca atuou dos dois lados, sempre teve uma vida republicana no Ministério Público [Federal]. Não conhece, portanto, uma figura que possa existir de braço direito do procurador-geral na Lava Jato. Essa acusação é uma infâmia", afirmou o advogado. A defesa disse ainda que Miller respeitou a quarentena entre se desligar da procuradora e assumir cargo no escritório de advocacia que auxiliou na delação. De acordo com a Folha, Miller solicitou sua saída do Ministério Público Federal em 23 de fevereiro e sua exoneração saiu no mês seguinte. O ex-procurador pediu para gozar férias atrasadas antes de deixar o cargo e sua saída definitiva ocorreu apenas em 5 de abril. A delação da JBS foi homologada em maio.