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'Deus de Israel' e o mito do Estado laico na Assembleia Legislativa da Bahia

Por Fernando Duarte

'Deus de Israel' e o mito do Estado laico na Assembleia Legislativa da Bahia
'A Procissão do Senhor dos Navegantes' divide atenções | Foto: Reprodução/ AL-BA

Em meio aos lamentos da morte de 18 pessoas no naufrágio de uma lancha entre Mar Grande e Salvador, a Assembleia Legislativa da Bahia fez um esforço grande para enterrar a laicidade do Estado. Com festa, o presidente da Casa, Angelo Coronel (PSD), inaugurou o monumento ao “Deus de Israel”, uma espécie de painel contendo uma réplica da Arca da Aliança, uma representação da Bíblia, uma pomba branca e os dizeres “Ao Deus de Israel! Toda honra, toda glória e todo louvor”. A homenagem acata o pedido do deputado Sargento Isidório (PTdoB) e, segundo o proponente, é um contraponto à pintura “A Procissão do Senhor dos Navegantes”, prostrada no plenário do Legislativo desde 1993, em sua segunda versão, como uma homenagem à tradição católica da procissão de 1º de janeiro com um Cristo crucificado, mas com referências a religiões de matrizes africanas, a artistas e a políticos que, naquele ano, foram considerados relevantes pelo artista plástico Carlos Bastos. Faces como Jorge Amado, Daniela Mercury, Irmã Dulce, Caetano Veloso e Gilberto Gil estão representadas no painel. Essa multiplicidade, que pode até ser contestada pelo excesso de correligionários do ex-senador Antônio Carlos Magalhães, é um pouco símbolo do jeito baiano de ser, dando espaço e vez para os mais diversos credos e representações artísticas. Porém, na última quinta-feira, a Assembleia confirmou que, para a crescente bancada evangélica na política, pouco importa representações históricas ou simbólicas. É preciso estar representado em um monumento de largas proporções, com mais símbolos cristãos do que alguns templos religiosos espalhados pelos rincões do Brasil. Para o caso ser ainda mais inusitado, a inauguração contou com instrumentos de percussão, tipicamente utilizados pelas religiões de matrizes africanas – e negadas na propositura da homenagem ao Deus de Israel. E, afora as manifestações contrárias colhidas pelo repórter Bruno Luiz com a deputada Luiza Maia, quando a resolução de Isidório foi aprovada pela mesa diretora, não houve qualquer comentário dos demais parlamentares que lá estão ou que por lá estiveram. Se o Estado brasileiro é laico, esqueceram de avisar na Assembleia, que agora se confunde com um templo cristão, ornado com dinheiro público. Este texto integra o comentário desta segunda-feira (28) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Irecê Líder FM e Clube FM.