Neto: 'Havia resistência dos empresários'; reajuste só será analisado no fim do ano
Por Estela Marques / Luana Ribeiro
A integração plena entre ônibus e metrô, anunciada pelo prefeito ACM Neto nesta quarta-feira (9), enfrentava resistência dos empresários dos consórcios que integram o sistema de coletivos, por causa da distribuição da tarifa para cada modal. Com a decisão da prefeitura, permanece a proposta do governo do Estado, na qual R$ 1,42 remuneram os ônibus e o restante é destinado ao metrô. “Essa era a demanda deles [do governo]. Havia uma resistência dos empresários a aceitarem essa tarifa, eles não vinham aceitando essa tarifa de R$ 1,42, então nós aqui, de certa forma, forçamos a mão, para garantir que a integração pudesse acontecer, e garantimos a agilização desse processo de redesenho das linhas para ganhar em produtividade, até que os estudos sejam concluídos, que se imponha, se estabeleça a tarifa de R$ 1,42, portanto retirando qualquer argumento da concessionária para garantir a integração”, explica Neto. Até então, o cartão do metrô já era utilizado nos ônibus, mas não fazia a integração em todos os coletivos – apenas 40% da frota estava integrada. A partir desta quinta (9), todos os ônibus estarão integrados (clique aqui). Questionado sobre eventual aumento da tarifa, Neto disse que o valor não será modificado até a revisão que ocorre no final do ano, prevista contratualmente. “Não muda nada. Nós temos um contrato com os concessionários, com as três bacias, esse contrato regulamenta toda a sistemática de tarifa, ele é que rege o reajuste da tarifa, e a minha ideia é que essa integração não vai onerar a tarifa do ônibus, de maneira alguma. Eu não vou passar essa conta para o usuário do ônibus, que é uma preocupação minha desde o princípio”, destacou. “Ao fim do ano, nós vamos sentar para avaliar como o contrato está ou não está sendo cumprido e quais são os parâmetros para a concessão ou não do reajuste para 2018. Se será inflação, se será um índice superior à inflação... Aí é o que o contrato determina”, completou. O prefeito reforçou que a medida ampliará o movimento no metrô. “Vai aumentar o número de pessoas a usar o metrô. O propósito é esse. Agora, o projeto do metrô quando foi concebido e agora não cabe à discussão, isso é coisa do passado, mas o metrô tal como foi concebido e implementado não tem demanda própria – 10% aproximadamente é de demanda exclusiva e 90% dos passageiros q andam de metro precisam do ônibus, da alimentação”, ressaltou. De acordo com Neto, atualmente os ônibus atendem R$ 1,3 milhão de usuários e o metrô, 85 mil pessoas. O anúncio aconteceu dois dias após o governador Rui Costa afirmar que licitaria um sistema complementar para cumprir a integração; Neto declarou, no entanto, que os empresários já tinham sido avisados da decisão na semana passada. “Eu os chamei aqui, no fim da semana passada, na sexta-feira. Informei que tomaria essa decisão e solicitei a compreensão da parte deles para essa decisão. Houve compreensão, nós estamos dialogando com os empresários, porque existe uma crise econômica no país que afeta o sistema. Então eu posso dar meu testemunho: não é ninguém que está querendo criar uma situação onde não existe, não é ninguém que não está querendo ganhar dinheiro. A gente está acompanhando isso”.
