Oposição a Rui torce para que PSB fique fora da majoritária por esperança de herdar apoio
Por Fernando Duarte
Há expressões populares que se encaixam em certas situações dos bastidores políticos. Uma delas, “jogar o barro na parede para ver se cola”, parece ser uma das estratégias que aproxima nomes fortes do DEM da Bahia do PSB da senadora Lídice da Mata. Desde a última semana, passaram a circular informações de que o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (DEM), estaria de malas prontas do DEM tendo como um dos prováveis destinos o PSB, por onde seria candidato em 2018. A situação – até então improvável – seria resultado de uma articulação envolvendo o deputado federal Bebeto Galvão (PSB) e o presidente da Câmara de Salvador, Léo Prates (DEM), que teriam proximidade desde a eleição de 2016, quando Bebeto recebeu apoio do DEM na candidatura a prefeito de Ilhéus e, em contrapartida, marchou com Prates na capital baiana. Zé Ronaldo é um quadro do antigo PFL, partido herdeiro político do Arena e do PDS, e, portanto, tradicionalmente ligado à direta. O PSB é uma sigla de inclinação à esquerda – não que essa dicotomia seja respeitada no Brasil. A legenda socialista, por mais próximo que esteja da direita (?) do PSDB via Márcio França como vice-governador de Geraldo Alckmin, está bem distante das plataformas historicamente defendidas pelo prefeito de Feira de Santana. A filiação dele criaria mais um Frankenstein político – o que não seria uma surpresa, apesar de pouco provável. Ideologicamente distantes, a informação de que Zé Ronaldo e o PSB se aproximam é uma tentativa de afastar a sigla socialista da base aliada do governador Rui Costa (PT), que, em 2018, define se mantém ou não Lídice como candidata a reeleição na chapa majoritária dele. Pelas notícias que têm circulado, a senadora está alheia a qualquer conversa com Zé Ronaldo. Ela controla o PSB na Bahia e mantém o alinhamento à esquerda no plano federal, onde goza de prestígio com os atuais dirigentes do partido, e também na Bahia, com a legenda integrando a base aliada de Rui. Não parece estar disposta a mudar a inclinação. Fora de uma disputa pela reeleição, todavia, estaria menos fortalecida para controlar o PSB baiano. Se Bebeto mantém mesmo a proximidade com o DEM, como pregam interessados em um racha no partido, Rui terá que escolher se mantém o PSB com ele em 2018 ou entrega a sigla numa bandeja para a oposição. Este trecho inclui o comentário para a RBN Digital desta terça-feira (25), veiculado diariamente às 7h e com reprise às 12h30.
