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PF orientou vestimenta que executivo da JBS deveria usar em operação controlada

PF orientou vestimenta que executivo da JBS deveria usar em operação controlada
Diretor da JBS, Francisco Silva | Foto: Reprodução / GloboNews

Para a operação controlada com a Polícia Federal (PF), o diretor jurídico da JBS, Francisco de Assis e Silva, recebeu indicações até sobre o tipo de roupa que deveria usar. Os policiais o orientaram a vestir um casaco que permitisse disfarçar o volume dos gravadores que ele carregaria no corpo. A operação em questão consistia em um jantar na mansão de Willer Tomaz, advogado contratado pela Eldorado Celulose, uma empresa do grupo J&F. Segundo o que foi delatado por Silva, Tomaz dizia que pagava R$ 50 mil por mês ao procurador da República Angelo Vilella, que atuava na Operação Greenfield. Para realizar a gravação, Assis recebeu orientações por três horas. De acordo com informações da Folha de S. Paulo, os agentes esconderam nele três aparelhos, um muito fino dentro da carteira e outros dois colocados bolsos dianteiro e lateral da calça. Sem informar aos investigadores, o diretor levou ainda um gravador próprio no bolso do paletó. De acordo com o plano relatado, ao chegar à mansão do advogado, no Lago Sul, em Brasília, ele fingiu que falava com a filha enquanto fotografava Tomaz e o procurador na mesa. A imagem foi logo enviada ao grupo “Festa01”, composto pelo delegado Josélio de Sousa, agentes federais e o procurador Eduardo Pelella, conhecido como braço direito do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Questionado se temia alguma coisa, o diretor jurídico revelou que tinha dois medos. "O primeiro é de ser morto. O segundo é de apanhar", admitiu o nervosismo. O advogado até desconfiou da atitude suspeita de Silva, mas não chegou a perceber que era gravado. Tomaz e Vilella são os únicos ainda presos em decorrência da delação dos executivos da JBS.