Delações apontam que compra de MPs continuou mesmo após a Lava Jato
Os depoimentos de ex-executivos da Odebrecht apontam que de 2005 a 2015, a empresa pagou propina, fez contribuições oficiais ou por meio de caixa dois com o objetivo de influenciar atos do Legislativo e do Executivo. Na maior parte dos casos, eles intencionavam a aprovação de medidas provisórias (MPs), segundo informações da Folha de S. Paulo. Assim, fica evidente que os últimos acordos entre políticos e empresários aconteceram já com a Lava Jato em curso – a operação foi deflagrada ainda em 2014. Por exemplo, o ex-diretor Claudio Melo Filho contou que fez doações para o governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB), na campanha de 2014, tendo como contrapartida "o forte apoio [de seu pai, o senador Renan Calheiros] à renovação dos contratos de energia, que culminou na edição" do texto. A matéria em questão é a MP 677, de 2015, que prorrogou contratos de energia de grandes indústrias no Nordeste. Ele contou que chegou a ter reunião na residência oficial da presidência do Senado – cargo então ocupado por Renan – "para reforçar a importância do tema para a empresa" durante o período de tramitação da MP. Melo Filho relatou que os movimentos da companhia costumavam ser articulados por Marcelo Odebrecht no Executivo e por ele próprio no Congresso. Seu maior interlocutor era o presidente do PMDB, o senador Romero Jucá (RR), a quem chamava de "resolvedor da República no Congresso". O delator disse que repassou R$ 22 milhões a Jucá, dinheiro que seria dividido também com Renan e o atual presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE).
