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Petições contra vereadores apontam vantagens indevidas em campanhas eleitorais

Por Guilherme Ferreira

Petições contra vereadores apontam vantagens indevidas em campanhas eleitorais
Foto: Max Haack / Ag Haack / Bahia Notícias

As petições contra vereadores de Salvador elaboradas com base nas delações premiadas de executivos e ex-executivos da Odebrecht apontam a existência de pagamentos indevidos para campanhas eleitorais. Paulo Câmara (PSDB), ex-presidente da Câmara Municipal; Henrique Carballal (PV), atual líder do governo na Casa; Geraldo Júnior, licenciado para ocupar cargo de secretário na prefeitura; Tiago Correia (PSDB); e Paulo Magalhães Júnior (PV) são os atuais vereadores citados nas petições. Além deles, o ex-vereador Waldir Pires (PT) também aparece entre os documentos. Em cinco das seis petições as informações foram passadas pelos delatores André Vital Pessoa e Benedicto Barbosa da Silva. Apenas no caso de Paulo Magalhães Júnior o delator responsável por passar os dados que constam na petição é José de Carvalho Filho, que narrou uma doação no valor de R$ 50 mil para a campanha eleitoral de 2010. Segundo o documento, "a soma, a princípio, não foi contabilizada". Em relação a Paulo Câmara, a petição relata que ele recebeu "vantagem indevida" no valor de R$ 50 mil para a campanha eleitoral de 2012. O pagamento teria acontecido por meio do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, conhecido como departamento de propinas da empresa. Em resposta, Câmara alega que não houve irregularidades nas doações. "Recebi os recursos da agremiação partidária nacional e não da empresa Odebrecht ou de seus funcionários, não tendo sido por mim solicitado tais valores àqueles nem mesmo a título de doação eleitoral, sendo totalmente descabida qualquer pretensa alegação de que se trataria de propina em troca de qualquer vantagem", diz comunicado do vereador. A petição sobre Carballal cita "pagamento de vantagens, não contabilizadas, a pretexto de doação eleitoral" em 2012, mas não apresenta o valor do pagamento. Ao Bahia Notícias, o vereador negou qualquer irregularidade nas suas contas eleitorais. "Não conheço ainda o teor do que está sendo imputado. É algo que aconteceu há cinco anos. Tenho consciência que não fiz nenhum tipo de ilicitude". Ele ressaltou que o fato da petição se restringir às doações de campanha o tira "de uma imensa parcela de pessoas investigadas por corrupção". Sobre Tiago Correia, consta a informação que o vereador recebeu R$ 50 mil como "vantagem indevida" para concorrer ao cargo de vereador em Salvador. A petição, no entanto, não relata quando montante foi pago. O maior valor pago pela Odebrecht entre os vereadores teria sido destinado a Geraldo Júnior. De acordo com as delações premiadas, o atual secretário de Trabalho, Esportes e Lazer recebeu "pagamento indevido de vantagem não contabilizada, a pretexto de doação eleitoral" no valor de R$ 90 mil. A soma teria sido entregue em duas parcelas, ambas no escritório da Odebrecht em Salvador. As delações ainda relatam que Waldir Pires pediu, com a participação de Emílio Odebrecht, pagamento para a campanha eleitoral de 2012. O ex-vereador teria recebido ao todo R$ 80 mil. Todas as petições, por não envolverem pessoas com foro privilegiado junto ao Superior Tribunal Federal (STF), foram encaminhadas à Justiça Federal na Bahia e à Procuradoria da República na Bahia. Cabe a esta última decidir se pede abertura de inquérito contra os vereadores citados.