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Para geólogo, terremoto no Peru não tem relação com tremor sentido na Bahia

Por Ailma Teixeira

Para geólogo, terremoto no Peru não tem relação com tremor sentido na Bahia
Foto: Reprodução / Pinterest

Ao analisar o fato de que o Peru sofreu um terremoto menos de uma hora depois que um tremor foi sentido em diversos municípios baianos, o geólogo Rubens Antônio não vê relação direta entre os fatos. O profissional, que hoje atua no Museu Geológico da Bahia, esclarece que, para isso, o tremor teria que ser sentido depois no Brasil – enquanto o abalo sísmico foi registrado às 5h33 no Peru (7h33 no horário de Brasília), na Bahia, o tremor foi sentido por volta das 6h50, do horário local, ou seja, era ainda em torno de 4h50 no Peru (saiba mais aqui). "É possível que não tenha conexão", defende Antônio. "Porque se ocorreu no Peru, ele viria pela Terra na velocidade das ondas sísmicas e ocorreria depois", explica em entrevista ao Bahia Notícias. Mesmo que houvesse ocorrido no mesmo horário, o geólogo ressalta que Salvador está há uma longa distância para sentir o fenômeno nessa intensidade. Para Antônio, é mais provável que tenha sido uma coincidência. O geólogo também não aponta uma causa específica para o fato, que ainda não foi registrado pelos institutos meteorológicos do país, mas explica que os terremotos ocorridos na Bahia são ligados a falhas muito antigas porque não há uma "cicatrização completa da crosta". "Em Salvador, provavelmente, está vinculada às falhas como a que formou a cidade alta e a cidade baixa. O que a gente sentiu hoje é resultado de falhas que ocorreram há mais de 100 milhões de anos", aposta. Diante dessa ocorrência, Antônio critica a ilusão fomentada de que a Bahia e até o Brasil estão livres de terremotos. Ele lembra que 160 abalos sísmicos desse porte já foram registrados no estado baiano e que, por se tratarem de fenômenos naturais, eles "ocorrem, ocorreram e vão continuar ocorrendo na Terra".