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Dellagnol cita Itália ao torcer por Lava Jato: ‘Melhor aprendermos com erros alheios’

Dellagnol cita Itália ao torcer por Lava Jato: ‘Melhor aprendermos com erros alheios’
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O procurador da República Deltan Dallagnol citou a experiência italiana com a Operação Mãos Limpas ao sugerir que a sociedade vá “além da Lava Jato”. Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (17), quando a operação completa três anos, o procurador lembrou que o caso italiano ficou concentrado no Judiciário e, sem que houvesse as mudanças necessárias em seguida, o crime de corrupção passou a ser mais sofisticado. “Precisamos avançar para reformas no sistema político e de justiça. O principal responsável por isso é sociedade brasileira e o Congresso Nacional. A Lava Jato precisa ir até o fim por questão de justiça e senão a mensagem passada para sociedade é que corrupção e violação das regras compensam. Lava Jato mantém aberto portal de conscientização, o quanto afeta o Brasil. Corrupção é o maior mal do mundo. A Lava Jato nos traz esperança, dá gostinho do país que queremos ter quando vemos funcionando”, declarou o procurador. “A sociedade não pode colocar suas esperanças de modo excessivo no judiciário, esse foi o erro da Itália. É melhor aprendermos com erros alheios do que sofrermos consequências dos próprios erros”, acrescentou. Em sua avaliação, algumas mudanças já foram vistas, como o fim do financiamento empresarial de campanha e a possibilidade de prisão em condenação na segunda instância, mas as mudanças estruturais devem partir do Parlamento. Em entrevista durante a manhã, Dellagnol já havia sugerido que a população aproveitasse as eleições de 2018 para renovar o Congresso e colocar pessoas que representem a pauta do combate à corrupção (veja aqui). O procurador sugeriu ainda que houvesse mudanças na política do foro privilegiado, que beneficia cerca de 40 mil autoridades. “O Supremo deve instalar métodos diferenciados de julgamento desse caso, ou é preciso que o foro privilegiado seja restringido. Se restrito, precisamos de reformas no sistema, como as Dez Medidas Anticorrupção”, acrescentou, em defesa do pacote proposto ano passado e em tramitação no Congresso.