
Emicida defende rap e BaianaSystem no Carnaval: 'Brasil tem interesses diversificados'
Por Junior Moreira / Luiz Fernando Teixeira
O cantor Emicida defendeu a diferença de ritmos que acontece em Salvador durante festejos de momo de 2017, pouco antes de subir no palco Skol para se apresentar, na madrugada deste segunda-feira (27). “O carnaval tá errado quando não tem isso. O Brasil tem um povo diverso com interesses diversificados, inclusive nos seus gostos. Eu acho curioso porque existe uma cena muito sólida da cultura do hip hop do nordeste e em Salvador em especial. Não acho que o que a gente está fazendo aqui seja um ponto fora da curva”, afirmou o cantor. Emicida ainda defendeu a inclusão de artistas menos conhecidos entre as atrações da festa. “Infelizmente isso faz com que algumas manifestações culturais menos mercadológicas fiquem fora dessa grande festa, mas é importante trazer essa democracia para o carnaval porque isso enriquece muito e faz com a que a cidade se aproprie do baile, porque é isso que a gente quer. A gente está falando uma festa que é de todo mundo na sua essência”, declarou o rapper. Assim como Rael, ele abordou a polêmica que envolveu a BaianaSystem, após o coro de “Fora Temer” não ter agradado a setores da prefeitura de Salvador, que deram a entender que banda não poderia se apresentar em 2018. “Estado e o governo são duas coisas completamente diferentes, principalmente na conjuntura em que nós estamos, com o governo de situação e não de eleição. As pessoas que estão nas cadeiras da presidência da republica não receberam nenhum voto, e isso é um ponto que é muito importante. A gente já está vivendo uma situação delicada e deslocar o artista de sua posição é querer fingir que a gente vive em uma democracia e isso é a coisa mais doente e perigosa que pode acontecer. Hoje eles podem calar quem você discorda e amanhã eles podem calar você quando passarem a discordar do seu posicionamento, sabe? Tem que tomar muito cuidado com as pessoas que estão sentadas nas cadeiras do poder”, afirmou.
