Após resistência de Temer, retrato oficial vira piada após divulgação sem retoques
Foto: Divulgação
O presidente Michel Temer tentou adiar ao máximo a produção de seu retrato oficial como chefe de Estado do Brasil. Se dizendo contra o "culto à personalidade", ele evitou por meses tirar a foto com a faixa presidencial desde que assumiu o poder em setembro, com o impeachment da presidente Dilma Rousseff. O convencimento só veio em outubro, quando aliados defenderam a importância simbólica do retrato: não fazê-lo poderia reforçar a ideia da oposição de que seu governo não é legítimo e que a saída de Dilma foi um golpe. O registro foi feito em dezembro do ano passado pelo fotógrafo Orlando Brito e a produção ficou a cargo do publicitário Elsinho Mouco, que acompanha o PMDB há mais de quinze anos. A ideia, segundo Mouco explicou à Folha, era "passar serenidade e confiança". "É tudo o que se espera de um líder que está no comando e tem a missão de tirar o país do caos e resgatar a esperança. Não é um culto à personalidade, mas um compromisso com a ordem e o progresso", alegou o publicitário. Mas nem toda espera e conceito ajudou Temer a evitar mais uma crise de imagem - literalmente. Brito divulgou uma versão que depois foi chamada de "preliminar", com cortes mal feitos e sem tratamento da imagem. Pela primeira vez, a visão ao fundo foi acrescentada digitalmente, o que ampliou o impacto negativo. Além disso, Temer escolheu usar a faixa presidencial usada por ex-presidentes como Luiz Inácio Lula da Silva, mais desgastada pelo tempo, e não a que Dilma mandou fazer em seu primeiro mandato. O desgaste do material fez com que alguns internautas acreditassem que a faixa estava do lado avesso - o que foi negado pelo fotógrafo. A versão final e "oficial", com os retoques, só foi divulgada cinco horas depois. De acordo com a Folha, Temer ainda não sabe se mandará colocar o retrato oficial em gabinetes ministeriais e prédios públicos, como seus antecessores fizeram.
