Na contramão da austeridade, vereadores de Salvador reajustam próprios salários
Por Fernando Duarte
Sem Paulo Câmara, coube a Kiki presidir a sessão e virar Papai Noel | Foto: BN
Em meio a um cenário de poucas melhorias na economia, a Câmara de Salvador conseguiu, nesta segunda-feira (19), seguir a lógica esperada – infelizmente – dos políticos brasileiros: reajustou os próprios salários, de secretários municipais e também do prefeito ACM Neto (DEM) e do vice-prefeito Bruno Reis (PMDB) (veja aqui). A desculpa para tentar evitar um desgaste público foi adiar o reajuste para 2018, já que uma legislatura não pode atualizar o próprio salário. É de direito de todo “trabalhador” lutar por melhores condições de trabalho? Isso é inegável. E os vereadores estão, desde 2013, com os mesmos salários, enquanto as demais categorias tiveram reajustes ao longo desses anos. Além do que os ilustres vereadores da capital baiana não têm direito a férias e a 13º salário. Eis o resumo dos principais argumentos dos nobres edis para ampliarem os vencimentos em 24,6%. Caso seja mantida a votação do decreto legislativo para 2018, os vereadores passam a ter um salário de R$ 18.732. O prefeito passará a ter salário de R$ 24.875 e o vice R$ 18.732,56. Experiente, o atual presidente Paulo Câmara (PSDB) preferiu se omitir nesse pleito. Oficialmente se posicionou contrariamente ao reajuste e deixou o legislativo baiano sob o comando de Kiki Bispo (PTB). Porém a pecha de seguir na contramão da austeridade econômica não deve caber apenas ao petebista. Todos os vereadores presentes têm que assumir o ônus de ampliar a delícia de receber, mensalmente, mais de R$ 15 mil em 2017 para, em 2018, pingar outros R$ 3,7 mil a mais. Inclusive os seis dos 37 votantes que se posicionaram contra. E olha que nem uma recomendação do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) para que a proposta de “jeitinho” para o reajuste valer a partir 2018 não fosse votada resolveu (veja aqui). Passada a votação do próprio umbigo, além das projeções de mais dinheiro na conta, os vereadores ainda entraram em recesso para esperar a eleição para presidente, em 2 de janeiro, seguida de férias até, provavelmente, depois do Carnaval. Para eles, 2016 terminou como um bom ano.
