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Executivo da Odebrecht relata que Temer negociou doações em reunião em 2010

Executivo da Odebrecht relata que Temer negociou doações em reunião em 2010
Cunha teria participado da reunião | Foto: Marcelo Casal Jr/ Agência Brasil
O ex-executivo da Odebrecht, Márcio Faria, relatou em depoimento à força-tarefa da Operação Lava Jato que o presidente Michel Temer participou de uma reunião em 2010 para negociação de doações à campanha eleitoral do PMDB naquele ano, em contrapartida à ajuda na atuação da empresa em projetos na Petrobras. De acordo com informações do jornal Folha de S. Paulo, ele afirmou que o encontro ocorreu no escritório de Temer em São Paulo e teve a presença do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de João Augusto Henriques, apontado como um dos lobistas do partido na Petrobras, e do próprio Faria, então presidente da Odebrecht Engenharia Industrial, responsável por obras industriais no Brasil e no exterior. Na época da reunião, Temer era deputado federal, presidente do PMDB, e candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff (PT). Procurado, Temer afirmou via assessoria, que Cunha levou um empresário a seu escritório em 2010 e que o presidente "pode ser o referido senhor Márcio Faria, mas não pode garantir". Segundo Folha, três pessoas relacionadas à investigação afirmam que a contrapartida para as doações eleitorais ao PMDB em 2010 estava ligada a benefícios para a Odebrecht em obras do chamado projeto Plano de Ação de Certificação em Segurança, Meio Ambiente e Saúde da Petrobras. Henriques já contou que um contrato de quase US$ 1 bilhão foi fechado às vésperas do segundo turno das eleições de 2010 entre a área internacional da Petrobras, sobre a qual ele exercia influência, e a Odebrecht. No âmbito do PAC SMS, a empreiteira cuidaria da segurança ambiental da estatal em dez países, por meio da Odebrecht Engenharia Industrial, presidida à época por Faria. Também foi relatado por Fontes ligadas às investigações, Cunha mencionou a reunião em São Paulo quando elaborou 41 perguntas a Temer no mês passado e convocou o presidente como sua testemunha de defesa na Lava Jato. Na pergunta 34, ele questionou se Temer tinha conhecimento de "alguma reunião sua [dele] com fornecedores da área internacional da Petrobras com vistas à doação de campanha para as eleições de 2010, no seu escritório político, juntamente com o sr. João Augusto Henriques". O juiz Sérgio Moro decidiu que essa e outras perguntas não seriam encaminhadas a Temer, porque seriam “inapriopriadas”.